cordel revista antigas PROEZAS DE JOÃO GRILO - VERSOS DE CORDEL maio 09, 2024 URL Copied João Grilo foi um cristão Que nasceu antes do diaCriou-se sem formosuraMas tinha sabedoriaE morreu depois da horaPelas artes que fazia.E nasceu de sete mesesChorou no "bucho" da mãeQuando ela pegou um gatoEle gritou: - Não me arranhe,Não jogue neste animalQue talvez você não ganhe.Na noite que João nasceu,Houve um eclipse na lua,E detonou um vulcãoQue ainda continuaNaquela noite correuUm lobisomem na rua.Assim mesmo ele criou-sePequeno, magro e sambudoAs pernas tortas e finasBoca grande e beiçudoNo sitio onde moravaDava noticia de tudo.João perdeu o paiCom sete anos de idadeMorava perto de um rioIa pescar toda tardeUm dia fez uma cenaQue admirou a cidade.O rio estava de nadoVinha um vaqueiro de foraPerguntou: - Dará passagem?João Grilo disse: - Inda agoraO gadinho de meu paiPassou com o lombo de fora.O vaqueiro botou o cavaloCom uma braça deu nadoFoi sair já muito embaixoQuase que morre afogadoVoltou e disse ao menino:- Você é um desgraçado!João Grilo foi ver o gadoPara provar aquele atoVeio trazendo na frenteUm bom rebanho de patoOs patos passaram n'águaJoão provou que era exatoUm dia a mãe de João GriloFoi buscar água à tardinhaDeixou João Grilo em casaE quando deu fé lá vinhaUm padre pedindo águaNessa ocasião não tinhaJoão disse: - Só tem garapaDisse o padre: - Donde é?João Grilo lhe respondeu:É do engenho Catolé...Disse o padre: - Pois eu queroJoão levou numa coité.O padre bebeu e disse:- Oh! que garapa boa!João Grilo disse: - Quer mais?O padre disse: - E a patroa,Não brigará com você?João disse: - Tem uma canoa.João trouxe outra coitéNaquele mesmo momentoDisse ao padre: - Beba maisNão precisa acanhamentoNa garapa tinha um ratoEstava podre o fedorento!O padre disse: - Menino,Tenha mais educaçãoE por que não me disseste?Oh! natureza do cão!Pegou a dita coitéArrebentou-a no chãoJoão Grilo disse: - Danou-se!Misericórdia, São Bento!Com isto mamãe se danaMe pague mil e quinhentosEssa coité, seu vigárioÉ de mamãe mijar dentro!O padre deu uma pôpaDisse para o sacristão- Esse menino é o diaboEm forma de cristão!Meteu o dedo na goelaQuase vomita o pulmão!João Grilo ficou sorrindoPela cilada que fezDizendo: - Vou confessar-meNo dia sete do mêsEle nunca confessou-seFoi essa a primeira vezJoão Grilo tinha um costumePra toda parte que iaEra alegre e satisfeitoNo convívio da alegriaJoão Grilo fazia graçaQue todo mundo sorriaNum dia de sexta-feiraÀs cinco horas da tardeJoão Grilo disse: - Hoje à noiteEu assombro aquele padreSe ele não perdoar-meNa igreja há novidade...Pegou uma lagartixaAmarrou-a pelo gogóBotou-a numa caixinhaNo bolso do paletóFoi confessar-se João GriloCom paciência de Jó.As sete horas da noiteFoi ao confessionárioFez logo pelo sinalPosto nos pés do vigárioO padre disse: - Acuse-se!João disse o necessário.Eu sou aquele meninoDa garapa e da coité.O padre disse: - Levante-se,Eu já sei você quem é;João tirou a lagartixaSoltou-a junto do pé.A lagartixa subiuPor debaixo da batinaEntrou na perna da calçaTornou-se feia a buzinaO padre meteu os pésArrebentou a cortina.Jogou a batina foraNaquela grande fadiga,A lagartixa cascudaArranhando na barriga.João Grilo de lá gritava:- Seu padre, Deus lhe castiga!O padre impacienteNaquele turututuSaltava pra todo ladoQue parecia um timbuTerminou tirando as calçasFicando o esqueleto nu.João disse: - Padre é homem?Pensei que fosse mulher,Anda vestido de saiaNão casa porque não querIsto é que é ser cavilosoCara de mata bebé!O padre disse: - João Grilo,Vai-te daqui infeliz!João Grilo disse: - BravoDo vigário da matrizÉ assim que ele me pagaO benefício que fiz?João Grilo foi emboraO padre ficou zangadoJoão Grilo disse: - Ora sebo,Eu não aliso c'roadoVou vingar-me duma raivaQue tive o ano passado.No subúrbio da cidadeMorava um portuguêsVivia de vender ovosJustamente nesse mêsDenunciou de João GriloPelas artes que ele fez.João encontrou o portuguêsCom a égua carregadaCom duas caixas de ovosJoão lhe disse: - Oh! camaradaDeixa eu dizer a tua éguaUma pequena charada.O português disse: - Diga!João chegou bem no ouvidoCom a ponta do cigarroSoltou-a dentro escondidoA égua meteu os pésFoi temeroso estampido.Derrubou o portuguêsFoi ovos pra todo ladoArrebentou a cangalhaFicou o chão ensopadoO português levantou-seTristonho e todo melado.O português perguntou:- O que foi que tu dissesteQue causou tanto desgostoA esse animal agreste?- Eu disse que a mãe morreu...O português respondeu:- Oh égua besta da peste!João Grilo foi à escolaCom sete anos de idadeCom dez anos ele saiuPor espontânea vontadeTodos perdiam pra eleOutro Grilo como aquelePerdeu-se a propriedade.João Grilo em qualquer escolaChamava ao povo atençãoPassava quinau nos mestresNunca faltou com a liçãoEra um tipo inteligenteNo futuro e no presenteJoão dava interpretação.Um dia pergunta ao mestre:- O que é que Deus não vê,E o homem vê qualquer hora?Diz ele: - Não pode serPois Deus vê tudo no mundoEm menos de um segundoDe tudo pode saber.João Grilo disse: - Qual nadaQuede os elementos seus?Abra os olhos, mestre velhoQue vou lhe mostrar os meusSeus estudos se consomemUm homem vê outro homemSó Deus não vê outro Deus!João Grilo disse: - "Seu" mestre,Me diga como se chamaA mãe de todas as mães?Tenha cuidado no drama.O mestre coça a cabeçaDisse: - Antes que me esqueçaVou resolver o programa- A mãe de todas as mãesÉ Maria ConcebidaJoão Grilo disse: - Eu protestoAntes dela ser nascidaJá outra mãe existiaNão foi a Virgem MariaOh que resposta perdida!João Grilo disse depoisNum bonito português:-A mãe de todas as mãesJá disse e digo outra vezComo a escritura ensinaÉ a natureza divinaQue tudo criou e fez.- Me responda professorEntre grandes e pequenosQuero que fique notávelPor todos nossos terrenosResponda com rapidezComo se chama o mêsQue a mulher fala menos?- Este mês eu não conheço Quem fez esta tabuada?João Grilo lhe respondeu:- Ora sebo, camaradaPra mim perdeu o valorTer o nome de professorMais não conhece de nada- Este mês é fevereiroPor todos bem conhecidoSó tem vinte e oito diasO tempo mais resumidoEntre grandes e pequenosÉ o que a mulher fala menosMestre, você está perdido- Seu professor, me respondaSe algum tempo estudouQuem serviu a Jesus CristoMorreu e não se salvouNo dia que ele morreuSeu corpo o urubu comeuE ninguém o sepultou?- Não conheço quem é essePorque nunca vi escrito;João Grilo lhe respondeu:- Foi um jumento está ditoQue a Jesus Cristo serviaNa noite que ele fugiaDe Belém para o Egito.João Grilo olhou de um ladoDisse para o diretor:- Fique sabendo o senhorSem dúvida exame não fezO aluno desta vezEnsinou ao professor.João Grilo foi para casaEncontrou sua mãe chorandoEle então disse: - MamãeNão está ouvindo eu cantando?Não chora, cante mais antesPois o seu filho garantePra isso vive estudando.A mãe de João Grilo disse:- Choro por necessidadeSou uma pobre viúvaE tu de menor idadeAté da escola saíste;João lhe disse: ainda existeO mesmo Deus de bondade— A senhora pensa em carneA cinco mil réis o quiloOu talvez no meu destinoQue à força hei de segui-lo?Não chore, fique bem certaA senhora só se apertaQuando matarem João Grilo.João chegou no rioÀs cinco horas da tardePassou até nove horasPorém tudo foi debaldeNa noite triste e sombriaJoão Grilo sem companhiaVoltava sem novidade.Chegando dentro da mataOuviu lá dentro um gemidoOs lobos devoradoresO caminho interrompidoE trepou-se num pinheiroComo era forasteiroFicou calado escondido.Os lobos foram emboraMas João não quis descerDisse: - Eu dormirei aquiSuceda o que sucederEu hoje imito araquãSó vou embora amanhãQuando o dia amanhecer.O Grilo ficou trepadoTemendo lobos e leõesPensando na fatal sorteE recordando as liçõesQue na escola estudouQuando do súbito chegouUns quatro ou cinco ladrões.Eram uns ladrões de MecaQue roubavam no EgitoSe ocultavam na mataNaquele bosque esquisitoPois cada um de per siQue vinha juntar-se aliPara ver quem era perito.O capitão dos ladrõesDisse: - Não falta ninguém?Um respondeu: - Não senhorDisse ele: - Muito bemCuidado, não roubem vãVamos ajuntar-nos amanhãNa capela de Belém.— Lá partiremos o dinheiroPois aqui tudo é graúdoTemos um roubo a fazerDesde ontem que estudoMas já estou preparado;E o Grilo lá trepadoCalado e escutando tudo.Os ladrões foram emboraDepois da conversaçãoJoão Grilo ficou cienteDizendo em seu coração:Se Deus ajudar a mimAcabou-se tempo ruimSou eu quem ganho a questão.João Grilo desceu da árvoreQuando o dia amanheceuMas quando chegou em casaNão contou o que se deuFurtou um roupão de malhaVestiu, fez uma mortalhaLá no mato se escondeu.À noite foi pra capelaPor detrás da sacristiaVestiu-se com a mortalhaPois a capela jaziaSempre com a porta abertaJoão Grilo partiu na certaColher o que pretendia.Deitou-se lá num caixãoQue enterrava defuntoJoão Grilo disse: - Hoje aquiVou ganhar um bom presunto;Os ladrões foram chegandoJoão Grilo observandoSem pensar em outro assuntoAcenderam um farolPenduraram numa cruzForam contar o dinheiroNo claro de uma luzJoão Grilo de lá gritou:- Esperem por mim que vouCom as ordens de Jesus!Os ladrões dali fugiramQuando viram a alma em péJoão Grilo ficou com tudoDisse: - Já sei como éNada no mundo me atrasaAgora vou pra casaTomar um rico café!Chegou e disse: - MamãeMorreu nossa precisãoO ladrão que rouba outroTem cem anos de perdão;Contou o que tinha feitoDisse a velha: - Está direitoVamos fazer refeição.Bartolomeu do EgitoFoi um rei de opiniãoMandou convidar João GriloPra uma adivinhaçãoJoão Grilo disse: Eu vou,No outro dia embarcouPara saudar o sultão.João Grilo chegou na corteCumprimentou o sultãoDisse: - Pronto, senhor rei(deu-lhe um aperto de mão)Com calma e maneira doceO sultão admirou-seDa sua disposição.O sultão pergunta ao Grilo:- De onde você saiu?Aonde você nasceu?João Grilo fitou ele e sorriu— Sou deste mundo d'agoraNasci na ditosa horaQue minha mãe me pariu.— João Grilo, tu adivinha?E Grilo respondeu: - NãoEu digo algumas coisasConforme a ocasiãoQuem canta de graça é galoCangalha só pra cavaloE seca só no sertão.— Eu tenho doze perguntasPra você me responderNo prazo de quinze diasEscute o que vou dizerVeja lá como se arrumaÉ bastante faltar umaEstá condenado a morrer! João Grilo disse: estou prontoPode dizer a primeiraSe acaso sair-me bemVenha a segunda e a terceiraVenha a quarta e a quintaTalvez o Grilo não mintaDiga até a derradeira.Perguntou: - Qual o animalQue mostra mais rapidezQue anda de quatro pésDe manhã por sua vezAo meio-dia com doisPassando disto depoisÀ tarde anda com três?O Grilo disse: é o homemQue se arrasta pelo chãoNo tempo que engatinhaDepois toma posiçãoAnda em pé bem seguroMas quando fica maduroFaz três pés com o bastãoO sultão maravilhou-seCom a sua resposta lindaJoão disse: - Pergunte outraVou ver se respondo ainda.A segunda o sultão fezJoão Grilo daquela vezCelebrizou sua vinda.— Grilo, você me respondaEm termos bem divididosUma cova bem cavadaDoze mortos estendidosE todos mortos falandoCinco vivos passeandoTrabalham com três sentidos.— Esta cova é um violãoCom prima, baixo e bordãoMortas são as doze cordasQuando canta um cidadãoCanta, toca e faz versoCinco vivos num progressoOs cinco dedos da mão.Houve uma salva de palmasCom vivas que retumbouO sultão ficou suspensoSeu viva também bradouDepois pedido silencioCom outro desejo imensoA terceira perguntou:- João Grilo, qual é a coisaQue eu mandei carregarPrimeiro dia e segundoNo terceiro fui olharQuase dá-me a tiriricaSe tirar, mais grande ficaNão míngua, faz aumentar?— Senhor rei, sua perguntaParece me fazer guerra,Um Grilo não tem saberCriado dentro da serraMas digo pra quem conheceO que tirando mais cresceÉ um buraco na terra.— João Grilo, vou terminarAs perguntas do tratadoE Grilo disse: pergunteQuero ficar descansado...Disse o rei: - É muito exato,O que é que vem do altoCai em pé, corre deitado?— Aquele que cai em péE sai correndo no chãoSerá uma grande chuvaNos barros de um sertão;O rei disse: - Muito bemNo mundo todo não temOutro Grilo como João.— João Grilo, você bebe?João disse: - Bebo um pouquinhoE disse: - Eu não sou filhoDe Baco que fez o vinhoO meu pai morreu bebendoEu o que estou fazendo?Sigo no mesmo caminho.O rei disse: - João GriloBeber é coisa ruim...E Grilo respondeu: - Qual?O meu pai dizia assim:"Na casa de seu HenriqueZelam bem um alambiqueMelhor do que um jardim!"O rei disse: - João GriloTua fama é um estrondoJoão Grilo disse: - Eu sabendoO que perguntar respondoDisse o rei enfurecido:- O que tem o pé compridoE faz o rastro redondo?Senhor rei, tenho lembrançaDe tempo da minha avóQue ela tinha um compassoNa caixa de bororóComo esse eu também andoFazendo o rastro redondoAndando com uma perna só.- João, qual é o bicho,Que passa pela campinaA qualquer hora da noiteAndando de lamparina?- É um pequeno animalTem luz artificial;Veja o que determina...— Esse bicho eu já viPois eu tinha por costumeDe brincar sempre com eleMinha mãe tinha ciúmeEu andava pelo campoUns chamam pirilampoE outros de vagalume!O rei já tinha esgotado A sua imaginaçãoNão achou uma perguntaQue interrompesse a JoãoDisse: - Me responda agoraQual é o olho que choraSem haver consolação?O Grilo então respondeu:Lá muito perto da genteTem num outeiro importanteUm moço muito doenteSuas lágrimas tem paladarQuem não deixa de chorarÉ olho d'água vertente.O rei inventou um truqueDo jeito que lhe convinha.— Vou arrumar uma ciladaVer se João adivinha;Mandou vir um alçapãoFez outra adivinhaçãoEscondeu uma bacorinha.— João, o que é que temDentro deste alçapão?Se não disser o que éÉ morto, não tem perdãoJoão Grilo lhe respondeu:- Quem mata um como euNão tem dó no coração.João lhe disse: - Esse objetoNem é manso nem é braboNem é grande nem pequenoNem é santo nem é diaboBem que mamãe me diziaQue eu ainda caíaOnde a porca torce o rabo!Trouxeram uma bandejaOrnada de muitas floresDentro dela uma latinhaCheia de muitos fulgoresO rei lhe disse: - João GriloÉ este o último estriloQue rebenta tuas dores!João Grilo desta vezPassou na última estica,Adivinhar uma coisaNojenta que se praticaFugir da sorte mesquinhaPois dentro da lata tinhaUm pouquinho de "xinica".O rei disse: - João GriloVeja se escapa da morteO que tem nesta latinha?Responda se tiver sorteToda aquela populaçaQueria ver a desgraçaDo Grilo franzino e forte.— Minha mãe profetizouQue o futuro é minha perda— Dessas adivinhaçõesBrevemente você herda;Faz de conta que já vi,Como esta hoje aquiParece que dá em merda.O rei achou muita graçaNada teve o que fazerJoão Grilo ficou na corteCom regozijo e prazerGozando um bom paladarFoi comer sem trabalharDesta data até morrer.E todas as questões do reino Era João que deslindavaQualquer pergunta difícilEle sempre decifravaJulgamentos delicadosProblemas muito enrascadosE João Grilo desmanchava.Certa vez chegou na corteUm mendigo esfarrapadoCom uma mochila nas costasDois guardas de cada ladoSeu rosto cheio de mágoaOs olhos vertendo águaFazia pena o coitado.Junto dele estava um duqueQue veio o denunciarDizendo que o mendigoNa prisão ia morarPor não pagar a despesaQue fizera por afoitezaSem ninguém lhe convidar.João Grilo disse ao mendigo:- E como é, pobretão,Que se faz uma despesaSem ter no bolso um tostão?Me conte todo passadoDepois de eu ter-lhe escutadoLhe darei razão ou não.Disse o mendigo: - Sou pobreE fui pedir uma esmolaNa casa do senhor duqueLevei a minha sacolaQuando cheguei na cozinhaVi cozinhando galinhaNuma grande caçarola.- Como a comida cheiravaEu tive apetite nelaTirei um taco de pãoE marchei pro lado delaE sem pensar na desgraçaBotei o pão na fumaçaQue saia da panela!- O cozinheiro zangou-se,Chamou logo o seu senhorDizendo que eu roubaraDa comida o seu saborSó por eu ter colocadoUm taco de pão mirradoAproveitando o vapor...- Por isso fui obrigadoA pagar essa quantiaComo não tive dinheiroO duque, por tiraniaMandou trazer-me escoltadoPara depois de ser julgadoSer posto na enxovia!João Grilo disse: - Está bem,Não precisa mais falar,Então perguntou ao duque:- Quanto o homem vai pagar?- Cinco coroas de prataOu paga ou vai pra chibataNão lhe deve perdoar!João Grilo tirou do bolsoA importância cobradaNa mochila do mendigoEla foi depositadaE disse para o mendigo:- Balance a mochila, amigoPro duque ouvir a zoada!O mendigo sem demoraFez como Grilo mandouPegou sua mochilinhaCom a prata e balançouSem compreender o truqueBem no ouvido do duqueO dinheiro tilintou.Disse o duque enfurecido:- Mas não recebi o meu; Diz João Grilo: _ Sim senhor,Isto foi o que valeuDeixe de ser caloteiroO tinido do dinheiroO senhor já recebeu!- Você diz que o mendigoPor ter provado o vaporFoi mesmo que ter comidoSeu manjar e seu saborPois também é verdadeiroQue o tinir do dinheiroRepresenta o seu valor!Virou-se para o mendigoE disse: - Estás perdoadoLeva o dinheiro que dei-teVai pra casa descansado!O duque olhou para o GriloDepois de dar um estriloSaiu por ali danado.A fama então de João GriloFoi de nação em naçãoPor sua sabedoriaE por seu bom coraçãoSem ser por ele esperadoUm dia foi convidadoPra visitar um sultão.O rei daquele paísQuis o reino embandeiradoPra receber a visitaDo ilustre convidadoO castelo estava em floresCheio de tantos fulgoresRicamente engalanado.As damas da alta corteTrajavam decentementeToda corte imperialEsperava impacienteOu por isso ou por aquiloPara conhecer João GriloFigura tão eminente.Afinal chegou João GriloNo reinado do sultãoQuando ele entrou na corteQue grande decepção!De paletó remendadoSapato velho, furadoNas costas um matulão.O rei disse: - Não é elePois assim já é demais;João Grilo pediu licençaMostrou-lhe as credenciaisEmbora o rei não gostasseMandou que ele ocupasseOs aposentos reais.Só se ouvia cochichosQue vinham de todo ladoAs damas então diziam:É esse o homem falado?Duma pobreza tamanhaE ele nem se acanhaDe ser nosso convidado!Até os membros da corteDiziam num tom chocantePensava que o João GriloFosse dum tipo eleganteMas nos manda um remendadoSem roupa, esfarrapadoUm maltrapilho ambulante!E João Grilo ouvia tudoMas sem dar demonstraçãoEm toda a corte realNinguém lhe dava atençãoPor mostrar-se esmolambadoTinha sido desprezadoNaquela rica nação.Afinal veio um criadoE disse sem o fitar:- Já preparei o banheiroPara o senhor se banhar,Vista uma roupa minhaE depois vá para a cozinhaNa hora de almoçar.João Grilo disse: - Está bom;Mas disse com seu botão:- Roupas finas trouxe euDentro de meu matulãoMe apresentei rasgadoPara ver neste reinadoQual era a minha impressão.João Grilo tomou um banho Vestiu uma roupa de galaEntão muito bem vestidoApresentou-se na salaAo ver seu traje tão beloHouve gente no casteloQue quase perdia a fala.E então toda repulsaTransformou-se de repenteO rei chamou-o pra mesaComo homem competenteConsigo, dizia João:- Na hora da refeiçãoVez ensinar esta gente.O almoço foi servidoPorém João não quis comerDespejou vinho na roupaSó para vê-lo escorrerAnte a corte estarrecidaEncheu os bolsos de comidaPara toda corte ver.O rei bastante zangadoPerguntou para João:- Por que motivo o senhorNão come da refeição?Respondeu João com maldade:- Tenha calma, majestade,Digo já toda razão!Esta mesa tão repletaDe tanta comida boaNão foi posta para mimUm ente vulgar à toaDesde sobre-mesa à sopaForam postas à minha roupaE não à minha pessoa!Os comensais se olharam O rei pergunta espantado:- Por que o senhor diz istoEstando tão bem tratado?Disse João: - Isso se explicaPor está de roupa ricaNão sou mais esmolambado.Eu estando esfarrapadoIa comer na cozinhaMas como troquei de roupaComo junto da rainha...Vejo nisto um grande ultrajeHomenageiam meu trajeE não a pessoa minha!Toda corte imperialPediu desculpa a JoãoE muito tempo falou-seNaquela dura liçãoE todo mundo diziaQue sua sabedoriaEra igual a Salomão.por: João Ferreira de Lima Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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