“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.34.35)-
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
SEGUNDA - Êxodo 20.1-17
TERÇA - Deuteronômio 4.5-8
QUARTA - Mateus 5.38-48
QUINTA - João 12.49,50
SEXTA - Lucas 10.25-37
SÁBADO - Romanos 13.8-14
TEXTO BÍBLICO BASE
Marcos 12.28-34
28 -Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar e. sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe. Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
29 - E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve. Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
30 - Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo 0 teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
31 - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
32 - E o escriba lhe disse: Muito bem. Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus e que não há outro além dele;
33 - e que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
34 - E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A maioria das religiões é marcada pela quantidade de mandamentos e regras que possui. Algumas reivindicam observância irrestrita de um sem número de mandamentos, pois do contrário não é possivel agradara sua divindade. Diante desse quadro, todos os que acolheram a palavra do Evangelho sabem que este não consiste em observância de mandamentos. Tal, porém, não significa, obviamente, que o Evangelho não tenha ordem alguma, pois isso seria anulá-lo. Não obstante, a "ordem” passa pela postura e exemplo de Jesus, pois na perspectiva do Evangelho Ele é a referência maior, A presente lição não visa tanto à instrução reflexiva, e sim à concitação a vivermos o Evangelho em sua mais simples e plena manifestação: Tornarmo-nos ‘‘Cristo” para o nosso próximo.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os seguintes objetivos:
1 Reiterar a necessidade e a importância do Decálogo, não apenas para Israel, mas também para o mundo;
2 Discutir o fato de a Lei poder ser resumida em dois grandes mandamentos;
3 Condicionar o novo nascimento à imitação de Cristo e à prática do "novo mandamento”.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Em um mundo sem valores e referenciais, tem se tornado cada vez mais difícil falar em regras, deveres e mandamentos. Há duas causas principais dessa dificuldade. A primeira delas refere-se à perversão cada vez mais crescente no mundo. A outra é o fato de que muitas pessoas moralistas acabam não vivendo o que ensinam e apregoam. Tais extremos, porém, não justificam o abandono das coisas de Deus. A verdade é que, à parte do Criador, o mundo torna-se cada vez mais perverso. É por isso que de nada vale o legalismo religioso, ou seja, a ideia de que é possível, com os nossos “atos de justiça", tornarmo-nos pessoas que merecem ser salvas. É preciso pensar, porém, no fato de que a vivência do Evangelho torna-nos parecidos com Cristo, o nosso Salvador.
Com base nessa introdução inicial, proponha aos alunos uma reflexão visando ao aprofundamento do tema. Questione- -os da seguinte forma: Com o crescente número de denominações e com tantas vozes diferentes, algumas pessoas se tornam reticentes à pregação evangelística; sendo assim, em sua opinião, qual é o melhor caminho para solucionar este problema? Todas as vezes que Jesus ensinou alguma coisa Ele precisou falar e/ou verbalizar? Talvez você já tenha ouvido dizer que, muitas vezes, a única “Bíblia” que as pessoas não crentes leem é o nosso exemplo de vida, É por isso que, talvez conforme se conta, Francisco de Assis enviou seus discípulos a pregar e recomendou-lhes que, se fosse preciso, usassem as palavras? O que isso significa? Significa que devemos agir como Jesus e, assim, tornarmo-nos Cristo para o próximo. Essa é uma das formas mais eficazes e insuspeitas de evangelizar.
INTRODUÇÃO
Desde que pecou apartando-se do Criador, a humanidade degenerou-se em seus relacionamentos, tanto com Deus, quanto entre si, ou seja, com o semelhante. A fim de que a raça humana não provocasse sua própria destruição, vindo por isso até se extinguir, o Criador dotou-nos de um senso mínimo de certo e errado. Todavia, por causa do pecado, até mesmo tal senso, que é bom, tornou-se ruim. Tal pode ser visto em Gênesis 4.15, quando Deus disse que quem matasse Caim sofreria muito mais. Com isso, o Criador tinha em vista garantir, de alguma forma, as condições mínimas de convivência em sociedade, preservando-a da completa desordem. Infelizmente, a humanidade degenerou-se por completo, mas Deus tinha um plano de formar um povo que pudesse servir de exemplo às demais nações. Tal plano iniciou-se com a chamada de Abraão e culminou com o Evangelho de Jesus Cristo (Gn 12.1-3 cf. Gl 4.3-6). É sobre isso que vamos estudar na lição de hoje.
1. 0 DECÁLOGO
1.1 - Israel e a promessa abraâmica. Após a completa corrupção da humanidade, Deus, em sua soberania, chamou a Abraão e lhe fez promessas (Gn 6.1-12; 12.1-3). O propósito divino era, como já estudamos em lições anteriores, abençoar a humanidade inteira através de uma nação modelo. Esse povo que serviría como exemplo foi formado no Egito durante um período de 430 anos e dali saiu para ocupar a terra que o Criador prometera a Abraão (Êx 12.40,41). Tal promessa era a única instrução que os filhos de Israel possuíam (Gn 48.21; 50.24,25). Quanto à questão de regras, esse povo tinha apenas uma a observar, que era a circuncisão (Gn 17.9-14). E mesmo essa prática, não fora obedecida durante o período de peregrinação de Israel no deserto (Js 5.5). Assim, pode-se deduzir que a cultura egípcia era praticamente a cultura de Israel. Daí o porquê de as constantes recaídas do povo escolhido ao longo dos 40 anos de peregrinação (Êx 14.11; 32.1-24).
1.2-A lei de Deus. Sendo essa a realidade de Israel, Deus então promulgou a sua lei para que assim o povo tivesse uma formação (Dt 4.5-8). Os dez mandamentos, ou o Decálogo, diferentemente do que se imagina, não foram dados pelo Criador para ser uma nova prisão do povo. Na verdade, não há sentido algum pensar que Deus libertara os descendentes de Abraão para, na sequência, aprisioná-los novamente com mandamentos. Na realidade, como se pode ver no prólogo (introdução) dos dez mandamentos — “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” — (Êx 20.2), eles tinham a finalidade de garantir o processo de libertação do povo, não apenas tirando-os do Egito (geograficamente falando), mas também tirando o “Egito" (culturalmente falando) deles (Dt 26.1—32.52; Ml 4.4).
1.3 - Libertação e legalismo religioso. Se, como disse Paulo, “a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7.12), como é que em o Novo Testamento há várias referências negativas à lei (Rm 3.19 ; 4.25)? A resposta é que a finalidade da lei (que é o “amor”) foi abandonada (Mt 23.23; Jo 1.17; Rm 13.10; Gl 5.14). Além disso, é preciso igualmente notar que, muitas vezes, a “lei” a que se referia Jesus, dizia respeito à chamada “tradição dos anciãos”, que não era o texto bíblico dos dez mandamentos e muito menos o Pentateuco, mas um comentário paralelo (Mt 15.1-20; Mc 7.1-23). Assim, a lei que tinha a finalidade de levar Israel a ter uma cultura diferente e acima das outras, em exemplo e atitudes, acabou degenerando-se em legalismo religioso, isto é, a falsa ideia de que é possível salvarmo-nos por nossos próprios “atos de justiça" praticados ao observar preceitos religiosos. Algo que Paulo reprovava terminantemente, mesmo porque, “o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, [...] porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl 2.16). Da libertação passou-se ao legalismo retornando ao aprisionamento (Mt 23.1-37).
AUXÍLIO DIDÁTICO 1
O Decálogo é um dos grandes códigos legislativos do mundo antigo. Sua importância transcende em muito sua exclusividade aos judeus, pois os valores do mundo ocidental dependem, e muito, dos Dez Mandamentos. “George Mendenhall lista seis diferenças entre a aliança e a lei. O que nos interessa aqui é como ele determina a diferença entre ambas no que diz respeito ao propósito. O propósito da aliança é criar um novo relacionamento. O propósito da lei é regular ou perpetuar um relacionamento existente através de uma ordenação. Nessa mesma linha, Brevard Childs comenta: A lei define a santidade exigida do povo da aliança (...) avaliar-se a santidade, tendo a natureza divina como padrão, impede que se dê à aliança uma interpretação moralista'” (HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. i.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.216). O autor Victor Hamilton, trabalha muito bem o assunto ao dizer o que são os Dez Mandamentos através de perguntas retóricas: “Eles são a lei, mas não trazem também promessas? Seriam os mandamentos mais que um código imposto pelo Altíssimo? Deus, além de provera lei, não provê também capacidade para cumpri-la? Por sua própria conta, ninguém é capaz de viver de acordo com tal padrão" (lbid„ p.217)
2. OS DOIS GRANDES MANDAMENTOS: AME A DEUS E AO PRÓXIMO
2.1 - Amar a Deus. Desde a promulgação do Decálogo no deserto, abrangendo o prólogo, bem como o primeiro e o segundo mandamentos, a ordem é clara: Não se deve ter outro deus além do Deus libertador de Israel (Êx 20.2-6). Foi desse entendimento que surgiu a Shemá, isto é, a expressão hebraica que pode ser traduzida como “Ouça Israel”. Trata-se das duas primeiras palavras da Torá (Lei), e servem para introduzir os ensinamentos da lei a Israel É por isso que Jesus menciona Deuteronômio 6.4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR" (cf. Mc 12.29).
2.2 -Amaro próximo como a si mesmo. Equiparado a esse mandamento, Jesus cita ainda Levítico 19.18, onde a segunda parte do texto diz exatamente o que o Mestre respondeu: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR" (Mc 12.31). Apesar de haver leis que protegiam o estrangeiro (uma das grandes diferenças do código legislativo de Israel em relação às outras nações), como é possível verificar os textos de Êxodo 12.49; 22.21 e 23.9, por exemplo, implicitamente, o mandamento de amar o “próximo" como a si mesmo, parece especificar que o próximo é o igual, ou seja, o israelita, ou judeu, que possui os mesmos gostos e partilha das mesmas ideias e crenças.
2.3 - O grande mandamento da lei. É preciso observar que o escriba, chamado de "doutor da lei", questiona Jesus acerca do grande mandamento da “lei" e não do Evangelho. Ele pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?" (Mt 22.36). Jesus então responde: “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é; Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes" (Mc 12.29-31). O próprio escriba emendou a palavra do Mestre, dizendo que observar esses dois mandamentos, “é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc 12.33). Na passagem paralela de Mateus, Jesus disse que desses “dois mandamentos, dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.40). Em outras palavras, essa era finalidade da lei: Levar as pessoas a amar. A lei toda podia ser reduzida, isto é, observada nesses dois mandamentos.
AUXÍLIO DIDÁTICO 2
O segundo tópico é fundamental para se entender o propósito e o valor da Lei. Por isso, no texto de Marcos 12.28-34, “Jesus formula a resposta extraindo-a primeiramente da tradicional confissão judaica de fé: o Shema (Dt 6.4). Fazendo assim, Ele coloca toda a questão da lei em fundamento diferente. O que importa não é a exposição da lei, mas a relação da pessoa com o Deus vivo. O que importa não é a obediência à Torá, mas o amor a Deus, Este amor a Deus é tão importante, que seu alcance é estabelecido por repetição: A pessoa deve amar a Deus com todo o coração, com todo o entendimento, com toda a alma e com todas as forças (Mc 12.30). Ao fazer esta declaração, Jesus amplia o Shema adicionando a palavra 'entendimento', adição que aprofunda o efeito retórico" (CAMERY-HOGGATT, Jerry, “Marcos", In ARRINGTON. French L.; STRONSTAD, Roger (Eds ). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, i.ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2003, p.268).
3. 0 NOVO MANDAMENTO NOS APROXIMA DO REINO DE DEUS
3.1 - O novo mandamento. É sabido que Jesus foi o único ser humano que cumpriu toda a lei (Mt 5.17-20). Por ser Deus e ter autoridade para tal, Ele podia modificar determinados preceitos e tradições, sobretudo, se aqueles fossem humanos, legalísticos e caprichosos. Por isso, ao introduzir as mudanças (da lei para o Evangelho), em seu célebre Sermão do Monte, Ele dizia: “Ouvistes o que foi dito aos antigos" e, na sequência, dava uma nova orientação: “Eu, porém, vos digo" (Mt 5,7). Foi assim que, na noite em que foi traído, reuniu os seus discípulos e deu-lhes um “novo mandamento” (Jo 13.34,35). Mas, se Ele diz para amar e isso já havia na lei, o que há de "novo”? Aqui entra a grande novidade da proposta de Jesus Cristo. A lei poderia ser resumida em dois mandamentos, ao passo que o mandamento de Jesus é apenas um.
3.2 - Jesus como referência. "Amar a Deus" sobre todas as coisas é algo impossível de ser mensurado. Por isso, as pessoas podem ser muito religiosas e ainda assim amarem mais a si mesmas, ou sua reputação, do que Deus (Jo 12.42,43). Nesse mesmo assunto, outro aspecto interessante de se pensar, é que o religioso valoriza mais regras religiosas que pessoas (Mt 12.1-21). Não obstante isso, Jesus valorizava e priorizava mais as pessoas (Jo 5.1-16). Assim, o mandamento de amar o próximo como a si mesmo, da forma como era entendido na tradição judaica, parecia não ser mais do que amar a si mesmo de forma egoística, pois não comportava um amor ao próximo diferente, ou seja, não havia espaço para os que não eram como os religiosos. Todavia, a novidade do mandamento de amar, trazido pelo Evangelho de Jesus Cristo, é que Ele não disse para amar como amamos a nós mesmos. Não! Ele disse que os seus seguidores devem amar como Ele amou (Jo 13.34.35). Em outras palavras, Jesus é a referência, e também o padrão, de amor que devemos praticar.
3.3 - Somos Cristo para o próximo. Enquanto a lei possuía vários mandamentos que consistiam em amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos, o Evangelho tem apenas um mandamento: Amar como Jesus nos amou. E como Ele nos amou? Entregando-se pela humanidade pecadora, dando a sua vida por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). O chamado “texto áureo” da Bíblia, João 3.16, precisa ser visto juntamente com 1 João 3.16: “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos". Sim, Ele deu a sua vida por nós, obedecendo ao Pai. e nós, segundo o apóstolo João, devemos fazer o mesmo pelos nossos semelhantes. Isso porque, ensina o mesmo apóstolo, se dissermos que amamos a Deus, mas odiamos o nosso semelhante, tornamo-nos mentirosos, pois, questiona ele, “quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 Jo 4.20). Fazendo assim, tornamo-nos “Cristo para o próximo”, ou seja, as pessoas verão Cristo em nós e o nome do Senhor será glorificado, sendo, nós mesmos, um testemunho vivo nessa sociedade do que é viver orientado por Deus (Jo 13 34.35).
AUXÍLIO DIDÁTICO 3
O terceiro e último tópico é o mais importante desta lição, “À luz dos eventos que acabaram de ocorrer, Jesus coloca em um odre o vinho novo de um novo amor: Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis (34). O mandamento de amar o próximo não era novo (Lv 19.18; Lc 10.27). Mas a expressão ameis... como eu vos amei a vós — isto era novo! O amor do nosso Senhor alcançou um Judas (13.5,26), que o trairia, e um Pedro, que o negaria (13.38; 18.15-18,27). Na verdade, este tipo de amor foi um evento tão inigualável que um novo vocábulo teve de ser providenciado para expressá-lo. O eros (não no NT) dos gregos descrevia apenas um amor egoísta; e philia (no NT apenas em Tg 4.4) descrevia não mais que o amor de amizade que pensa em termos de obter, e também dar. Mas o sacrifício altruísta de Jesus, sua disposição de dar tudo sem qualquer garantia de resposta humana, tinha de ser expresso com uma palavra mais forte. Então ágape, uma rara palavra para amor antes de Paulo, passou a ser usado na literatura cristã primitiva a fim de descrever o tipo de amor que Jesus demonstrou, e a qualidade de amor que deve caracterizar a vida de seus verdadeiros discípulos” (EARLE, Ralph; MAYFIELD, Joseph H. “João a Atos", In Comentário Bíblico Beacon. Volume 7. i.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.120-21). Na verdade, conforme os mesmos autores, por intermédio “de um amor como este, disse Jesus, todos os homens conhecerão que sois meus discípulos... se vos amardes uns aos outros (35). Macgregor diz: 'Deve haver um novo circulo de amor, a igreja cristã, dependente de um novo centro de amor, Cristo'. Ele então cita Tertuliano, dizendo: ‘Os pagãos estão habituados a exclamar com admiração: Veja como estes cristãos amam-se uns aos outros"' (ibid., p.121)
CONCLUSÃO
Jesus reduziu todos os mandamentos em um único, pois sabe que se amarmos como Ele nos ama, certamente Deus virá em primeiro Lugar em nossa vida, pois somos servos. O Mestre sabe igualmente que, se amarmos tal como Ele nos ama, não desprezaremos os nossos semelhantes, pois eles serão mais valiosos do que regras, sejam elas religiosas ou não.
VERIFIQUE SEU APRENDIZADO
1. Para quê foi dada à lei?
Para levar às pessoas a amar.
2. É possível alguém se salvar observando a lei?
Não
3. Cite o grande mandamento da Lei.
“O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes" (Mc 12.29-31).
4. Qual a diferença entre o “novo mandamento" do Evangelho e o grande mandamento da lei?
A diferença do mandamento de amar, trazido pelo Evangelho de Jesus Cristo, é que Ele não disse para amar como amamos a nós mesmos, assim como dizia a Lei. E sim que os seus seguidores devem amar como Ele amou (Jo 13.34.35).
5. Como nos tornamos “Cristo para o próximo”?
Agindo exatamente como Cristo agiu, isto é, em favor das pessoas.
Que vos ameis uns aos outros; como
eu vos amei a vós, que também vós
uns aos outros vos ameis. Nisto
todos conhecerão que sois meus
discípulos, se vos amardes uns aos
outros" (Jo 13.34.35)-
TEXTO BÍBLICO BASE
os tinha ouvido disputar e. sabendo que lhes
tinha respondido bem, perguntou-lhe. Qual
é o primeiro de todos os mandamentos?
de todos os mandamentos é: Ouve. Israel,
o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
todo 0 teu coração, e de toda a tua alma, e
de todo o teu entendimento, e de todas as
tuas forças; este é o primeiro mandamento.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não
há outro mandamento maior do que estes.
Deus e que não há outro além dele;
todo o entendimento, e de toda a alma, e
de todas as forças e amar o próximo como
a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
sabiamente, disse-lhe: Não estás longe
do Reino de Deus. E já ninguém ousava
perguntar-lhe mais nada.
ORIENTAÇÃO
AO PROFESSOR
quantidade de mandamentos e regras
que possui. Algumas reivindicam observância irrestrita de um sem número de
mandamentos, pois do contrário não é
possivel agradara sua divindade. Diante
desse quadro, todos os que acolheram
a palavra do Evangelho sabem que
este não consiste em observância de
mandamentos. Tal, porém, não significa,
obviamente, que o Evangelho não tenha
ordem alguma, pois isso seria anulá-lo.
Não obstante, a "ordem” passa pela postura e exemplo de Jesus, pois na perspectiva do Evangelho Ele é a referência
maior, A presente lição não visa tanto à
instrução reflexiva, e sim à concitação
a vivermos o Evangelho em sua mais
simples e plena manifestação: Tornarmo-nos ‘‘Cristo” para o nosso próximo.
os seguintes objetivos:
do Decálogo, não apenas para Israel, mas
também para o mundo;
em dois grandes mandamentos;
de Cristo e à prática do "novo mandamento”.
difícil falar em regras, deveres e mandamentos. Há duas causas principais dessa
dificuldade. A primeira delas refere-se à perversão cada vez mais crescente no
mundo. A outra é o fato de que muitas
pessoas moralistas acabam não vivendo o
que ensinam e apregoam. Tais extremos,
porém, não justificam o abandono das coisas de Deus. A verdade é que, à parte do
Criador, o mundo torna-se cada vez mais
perverso. É por isso que de nada vale o
legalismo religioso, ou seja, a ideia de que
é possível, com os nossos “atos de justiça",
tornarmo-nos pessoas que merecem ser
salvas. É preciso pensar, porém, no fato
de que a vivência do Evangelho torna-nos
parecidos com Cristo, o nosso Salvador.
proponha aos alunos uma reflexão visando
ao aprofundamento do tema. Questione-
-os da seguinte forma: Com o crescente
número de denominações e com tantas
vozes diferentes, algumas pessoas se
tornam reticentes à pregação evangelística; sendo assim, em sua opinião, qual é
o melhor caminho para solucionar este
problema? Todas as vezes que Jesus
ensinou alguma coisa Ele precisou falar
e/ou verbalizar? Talvez você já tenha
ouvido dizer que, muitas vezes, a única
“Bíblia” que as pessoas não crentes leem
é o nosso exemplo de vida, É por isso que,
talvez conforme se conta, Francisco de
Assis enviou seus discípulos a pregar e
recomendou-lhes que, se fosse preciso,
usassem as palavras? O que isso significa?
Significa que devemos agir como Jesus e,
assim, tornarmo-nos Cristo para o próximo.
Essa é uma das formas mais eficazes e
insuspeitas de evangelizar.
Criador, a humanidade degenerou-se em
seus relacionamentos, tanto com Deus,
quanto entre si, ou seja, com o semelhante.
A fim de que a raça humana não provocasse sua própria destruição, vindo por isso até se extinguir, o Criador dotou-nos de um
senso mínimo de certo e errado. Todavia,
por causa do pecado, até mesmo tal senso,
que é bom, tornou-se ruim. Tal pode ser
visto em Gênesis 4.15, quando Deus disse
que quem matasse Caim sofreria muito
mais. Com isso, o Criador tinha em vista
garantir, de alguma forma, as condições
mínimas de convivência em sociedade,
preservando-a da completa desordem.
Infelizmente, a humanidade degenerou-se
por completo, mas Deus tinha um plano
de formar um povo que pudesse servir
de exemplo às demais nações. Tal plano
iniciou-se com a chamada de Abraão e
culminou com o Evangelho de Jesus Cristo (Gn 12.1-3 cf. Gl 4.3-6). É sobre isso que
vamos estudar na lição de hoje.
Após a completa corrupção da humanidade, Deus, em sua soberania, chamou
a Abraão e lhe fez promessas (Gn 6.1-12;
12.1-3). O propósito divino era, como já estudamos em lições anteriores, abençoar a
humanidade inteira através de uma nação
modelo. Esse povo que serviría como
exemplo foi formado no Egito durante um
período de 430 anos e dali saiu para ocupar
a terra que o Criador prometera a Abraão
(Êx 12.40,41). Tal promessa era a única instrução que os filhos de Israel possuíam (Gn 48.21; 50.24,25). Quanto à questão de regras,
esse povo tinha apenas uma a observar,
que era a circuncisão (Gn 17.9-14). E mesmo
essa prática, não fora obedecida durante
o período de peregrinação de Israel no
deserto (Js 5.5). Assim, pode-se deduzir que
a cultura egípcia era praticamente a cultura
de Israel. Daí o porquê de as constantes
recaídas do povo escolhido ao longo dos
40 anos de peregrinação (Êx 14.11; 32.1-24).
realidade de Israel, Deus então promulgou a sua lei para que assim o povo tivesse uma formação
(Dt 4.5-8). Os dez mandamentos, ou o Decálogo, diferentemente do que se imagina,
não foram dados pelo Criador para ser
uma nova prisão do povo. Na verdade,
não há sentido algum pensar que Deus
libertara os descendentes de Abraão para,
na sequência, aprisioná-los novamente
com mandamentos. Na realidade, como
se pode ver no prólogo (introdução) dos
dez mandamentos — “Eu sou o SENHOR,
teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da
casa da servidão” — (Êx 20.2), eles tinham
a finalidade de garantir o processo de libertação do povo, não apenas tirando-os
do Egito (geograficamente falando), mas
também tirando o “Egito" (culturalmente
falando) deles (Dt 26.1—32.52; Ml 4.4).
Se, como disse Paulo, “a lei é santa; e o
mandamento, santo, justo e bom” (Rm 7.12),
como é que em o Novo Testamento há várias referências negativas à lei (Rm 3.19 ; 4.25)?
A resposta é que a finalidade da lei (que é
o “amor”) foi abandonada (Mt 23.23; Jo 1.17;
Rm 13.10; Gl 5.14). Além disso, é preciso
igualmente notar que, muitas vezes, a “lei”
a que se referia Jesus, dizia respeito à chamada “tradição dos anciãos”, que não era o
texto bíblico dos dez mandamentos e muito
menos o Pentateuco, mas um comentário
paralelo (Mt 15.1-20; Mc 7.1-23). Assim, a lei
que tinha a finalidade de levar Israel a ter
uma cultura diferente e acima das outras,
em exemplo e atitudes, acabou degenerando-se em legalismo religioso, isto é, a falsa
ideia de que é possível salvarmo-nos por
nossos próprios “atos de justiça" praticados
ao observar preceitos religiosos. Algo que
Paulo reprovava terminantemente, mesmo
porque, “o homem não é justificado pelas
obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo,
[...] porquanto pelas obras da lei nenhuma
carne será justificada” (Gl 2.16). Da libertação passou-se ao legalismo retornando ao
aprisionamento (Mt 23.1-37).
AUXÍLIO DIDÁTICO 1
importância transcende em muito sua
exclusividade aos judeus, pois os valores do mundo ocidental dependem, e
muito, dos Dez Mandamentos. “George
Mendenhall lista seis diferenças entre
a aliança e a lei. O que nos interessa
aqui é como ele determina a diferença
entre ambas no que diz respeito ao
propósito. O propósito da aliança é
criar um novo relacionamento. O propósito da lei é regular ou perpetuar um
relacionamento existente através de
uma ordenação. Nessa mesma linha,
Brevard Childs comenta: A lei define a
santidade exigida do povo da aliança (...)
avaliar-se a santidade, tendo a natureza
divina como padrão, impede que se dê
à aliança uma interpretação moralista'” (HAMILTON, Victor P. Manual do
Pentateuco. i.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2006, p.216). O autor Victor Hamilton,
trabalha muito bem o assunto ao dizer
o que são os Dez Mandamentos através
de perguntas retóricas: “Eles são a lei,
mas não trazem também promessas?
Seriam os mandamentos mais que um
código imposto pelo Altíssimo? Deus,
além de provera lei, não provê também
capacidade para cumpri-la? Por sua
própria conta, ninguém é capaz de viver
de acordo com tal padrão" (lbid„ p.217)
MANDAMENTOS: AME A
DEUS E AO PRÓXIMO
o prólogo, bem como o primeiro e o segundo mandamentos, a ordem é clara:
Não se deve ter outro deus além do Deus
libertador de Israel (Êx 20.2-6). Foi desse entendimento que surgiu a Shemá, isto é, a
expressão hebraica que pode ser traduzida
como “Ouça Israel”. Trata-se das duas primeiras palavras da Torá (Lei), e servem para
introduzir os ensinamentos da lei a Israel É
por isso que Jesus menciona Deuteronômio
6.4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é
o único SENHOR" (cf. Mc 12.29).
Equiparado a esse mandamento, Jesus cita
ainda Levítico 19.18, onde a segunda parte
do texto diz exatamente o que o Mestre
respondeu: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas
amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu
sou o SENHOR" (Mc 12.31). Apesar de haver
leis que protegiam o estrangeiro (uma das
grandes diferenças do código legislativo de
Israel em relação às outras nações), como é
possível verificar os textos de Êxodo 12.49;
22.21 e 23.9, por exemplo, implicitamente, o
mandamento de amar o “próximo" como a
si mesmo, parece especificar que o próximo
é o igual, ou seja, o israelita, ou judeu, que
possui os mesmos gostos e partilha das
mesmas ideias e crenças.
preciso observar que o escriba, chamado
de "doutor da lei", questiona Jesus acerca
do grande mandamento da “lei" e não do
Evangelho. Ele pergunta: “Mestre, qual é
o grande mandamento da lei?" (Mt 22.36).
Jesus então responde: “O primeiro de
todos os mandamentos é: Ouve, Israel,
o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de
todo o teu coração, e de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento, e de todas
as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é;
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Não há outro mandamento maior do que
estes" (Mc 12.29-31). O próprio escriba
emendou a palavra do Mestre, dizendo
que observar esses dois mandamentos,
“é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc 12.33). Na passagem paralela de Mateus, Jesus disse que desses
“dois mandamentos, dependem toda a
lei e os profetas" (Mt 22.40). Em outras
palavras, essa era finalidade da lei: Levar
as pessoas a amar. A lei toda podia ser
reduzida, isto é, observada nesses dois
mandamentos.
para se entender o propósito e o valor da
Lei. Por isso, no texto de Marcos 12.28-34,
“Jesus formula a resposta extraindo-a
primeiramente da tradicional confissão
judaica de fé: o Shema (Dt 6.4). Fazendo
assim, Ele coloca toda a questão da
lei em fundamento diferente. O que
importa não é a exposição da lei, mas a
relação da pessoa com o Deus vivo. O
que importa não é a obediência à Torá,
mas o amor a Deus, Este amor a Deus é
tão importante, que seu alcance é estabelecido por repetição: A pessoa deve
amar a Deus com todo o coração, com
todo o entendimento, com toda a alma e
com todas as forças (Mc 12.30). Ao fazer
esta declaração, Jesus amplia o Shema
adicionando a palavra 'entendimento',
adição que aprofunda o efeito retórico"
(CAMERY-HOGGATT, Jerry, “Marcos", In
ARRINGTON. French L.; STRONSTAD,
Roger (Eds ). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, i.ed. Rio de
Janeiro: CPAD. 2003, p.268).
NOS APROXIMA DO REINO
DE DEUS
que Jesus foi o único ser humano que
cumpriu toda a lei (Mt 5.17-20). Por ser
Deus e ter autoridade para tal, Ele podia modificar determinados preceitos e
tradições, sobretudo, se aqueles fossem
humanos, legalísticos e caprichosos. Por
isso, ao introduzir as mudanças (da lei para
o Evangelho), em seu célebre Sermão do
Monte, Ele dizia: “Ouvistes o que foi dito
aos antigos" e, na sequência, dava uma
nova orientação: “Eu, porém, vos digo"
(Mt 5,7). Foi assim que, na noite em que foi
traído, reuniu os seus discípulos e deu-lhes
um “novo mandamento” (Jo 13.34,35). Mas,
se Ele diz para amar e isso já havia na lei,
o que há de "novo”? Aqui entra a grande
novidade da proposta de Jesus Cristo. A
lei poderia ser resumida em dois mandamentos, ao passo que o mandamento de
Jesus é apenas um.
a Deus" sobre todas as coisas é algo
impossível de ser mensurado. Por isso,
as pessoas podem ser muito religiosas
e ainda assim amarem mais a si mesmas, ou sua reputação, do que Deus
(Jo 12.42,43). Nesse mesmo assunto, outro
aspecto interessante de se pensar, é que o
religioso valoriza mais regras religiosas que
pessoas (Mt 12.1-21). Não obstante isso, Jesus valorizava e priorizava mais as pessoas
(Jo 5.1-16). Assim, o mandamento de amar o
próximo como a si mesmo, da forma como
era entendido na tradição judaica, parecia
não ser mais do que amar a si mesmo de
forma egoística, pois não comportava um
amor ao próximo diferente, ou seja, não havia espaço para os que não eram como os
religiosos. Todavia, a novidade do mandamento de amar, trazido pelo Evangelho de
Jesus Cristo, é que Ele não disse para amar
como amamos a nós mesmos. Não! Ele
disse que os seus seguidores devem amar
como Ele amou (Jo 13.34.35). Em outras
palavras, Jesus é a referência, e também
o padrão, de amor que devemos praticar.
Enquanto a lei possuía vários mandamentos que consistiam em amar a Deus sobre
todas as coisas e o próximo como a nós
mesmos, o Evangelho tem apenas um
mandamento: Amar como Jesus nos amou.
E como Ele nos amou? Entregando-se pela
humanidade pecadora, dando a sua vida
por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). O chamado “texto áureo” da Bíblia,
João 3.16, precisa ser visto juntamente com
1 João 3.16: “Conhecemos o amor nisto: que
ele deu a sua vida por nós, e nós devemos
dar a vida pelos irmãos". Sim, Ele deu a sua
vida por nós, obedecendo ao Pai. e nós,
segundo o apóstolo João, devemos fazer
o mesmo pelos nossos semelhantes. Isso
porque, ensina o mesmo apóstolo, se dissermos que amamos a Deus, mas odiamos
o nosso semelhante, tornamo-nos mentirosos, pois, questiona ele, “quem não ama
seu irmão, ao qual viu, como pode amar a
Deus, a quem não viu?” (1 Jo 4.20). Fazendo
assim, tornamo-nos “Cristo para o próximo”, ou seja, as pessoas verão Cristo em
nós e o nome do Senhor será glorificado,
sendo, nós mesmos, um testemunho vivo
nessa sociedade do que é viver orientado
por Deus (Jo 13 34.35).
importante desta lição, “À luz dos eventos que acabaram de ocorrer, Jesus
coloca em um odre o vinho novo de um novo amor: Um novo mandamento
vos dou: Que vos ameis uns aos outros;
como eu vos amei a vós, que também
vós uns aos outros vos ameis (34). O
mandamento de amar o próximo não
era novo (Lv 19.18; Lc 10.27). Mas a
expressão ameis... como eu vos amei a
vós — isto era novo! O amor do nosso
Senhor alcançou um Judas (13.5,26),
que o trairia, e um Pedro, que o negaria
(13.38; 18.15-18,27). Na verdade, este tipo
de amor foi um evento tão inigualável
que um novo vocábulo teve de ser providenciado para expressá-lo. O eros (não
no NT) dos gregos descrevia apenas um
amor egoísta; e philia (no NT apenas em
Tg 4.4) descrevia não mais que o amor
de amizade que pensa em termos de
obter, e também dar. Mas o sacrifício
altruísta de Jesus, sua disposição de dar
tudo sem qualquer garantia de resposta
humana, tinha de ser expresso com uma
palavra mais forte. Então ágape, uma
rara palavra para amor antes de Paulo,
passou a ser usado na literatura cristã
primitiva a fim de descrever o tipo de
amor que Jesus demonstrou, e a qualidade de amor que deve caracterizar
a vida de seus verdadeiros discípulos”
(EARLE, Ralph; MAYFIELD, Joseph H.
“João a Atos", In Comentário Bíblico
Beacon. Volume 7. i.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2014, pp.120-21). Na verdade,
conforme os mesmos autores, por intermédio “de um amor como este, disse
Jesus, todos os homens conhecerão
que sois meus discípulos... se vos amardes uns aos outros (35). Macgregor diz:
'Deve haver um novo circulo de amor,
a igreja cristã, dependente de um novo
centro de amor, Cristo'. Ele então cita
Tertuliano, dizendo: ‘Os pagãos estão
habituados a exclamar com admiração:
Veja como estes cristãos amam-se uns
aos outros"' (ibid., p.121)
CONCLUSÃO
em um único, pois sabe que se amarmos
como Ele nos ama, certamente Deus virá
em primeiro Lugar em nossa vida, pois
somos servos. O Mestre sabe igualmente
que, se amarmos tal como Ele nos ama,
não desprezaremos os nossos semelhantes, pois eles serão mais valiosos do que
regras, sejam elas religiosas ou não.
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
a lei?
3. Cite o grande mandamento da Lei.
é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor,
teu Deus, de todo o teu coração, e de toda
a tua alma, e de todo o teu entendimento,
e de todas as tuas forças: este é o primeiro
mandamento. E o segundo, semelhante
a este, é: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo. Não há outro mandamento maior
do que estes" (Mc 12.29-31).
trazido pelo Evangelho de Jesus Cristo, é
que Ele não disse para amar como amamos a nós mesmos, assim como dizia a
Lei. E sim que os seus seguidores devem
amar como Ele amou (Jo 13.34.35).
próximo”?
isto é, em favor das pessoas.
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