cordel revista antigas A Véia Debaixo da Cama e a Perna Cabeluda abril 27, 2024 URL Copied José Costa LeiteEu não posso está paradoque a poesia me chamapara distração do povovou descrever mais um dramada perna preta cabeludaque encontrou carrancudaa véia debaixo da camaA véia debaixo da camacriava um diabo dum ratoum leão e um jumentoum porco, um bode e um gatoum cachorro que ladravae um macaco que chiavanunca vi bicho tão chatoA zuada era medonhapois o bode bodejavao leão soltava esturrose o jumento rinchavana meia noite sombriaquando o cachorro latiao porco também roncavaA véia dormia poucotratando da bicharadaporque debaixo da camaa zuada era danadaentão a véia dizia:– Tanto bem que te queriae vai se acabar tudo em nadaO povo chamava elaa véia Zefa Beiçudaapesar de ser coroainda era boazudae o pior aconteceuquando um dia apareceua perna preta cabeludaPois a perna cabeludaem São Lourenço apareceue o Jornal do Comérciotoda reportagem deuà TV Globo anuncioue todo rádio citoucomo foi que aconteceuDe São Lourenço a Tiumae de Peixinho a Olindaela tem feito desordensporém quem não viu aindadiz até que é mentiraporém a notícia girae não sei quando se findaOutro dia em Paudalhona hora que o trem vinhaa perna preta apareceumesmo com toda morrinhaa perna já afobadadeu uma grande pesadaque o trem saltou da linhaCorreu atrás dum sujeitoque voltava dum forróele viu a perna pretae correu de fazer dóa perna cabeluda e feiacorreu quase légua e meiaatrás, no seu mocotóMarieta em Rio Docemuito nome feio chamacom a perna cabeludae foi dormir com a amaa meia-noite Marietaavistou a perna pretadeitada na sua camaZé Soares no Recifeviu a perna cabeludaem Água Fria e saiunuma carreira raçudamas a perna disse assim:– Meu filho, espere por mimporque eu sou boazudaPalito lá em Olindapor ser um pouco descrentedisse que era mentiraem sonho viu calmamentea perna lhe aparecere todo instante ele vera perna em sua frenteZé de Souza em São Lourençosaiu de manhã bem cedopara apanhar o ônibusdebaixo dum arvoredoa perna lhe apareceue Zé Souza correutodo assustado com medoJoão Vicente Emilianoviu a perna na carreirade Vitória a Gravatácomo quem vai pra pesqueiraum vaqueiro em Orobóvendo uma perna sómergulhou na capoeiraDizem que em Limoeiroa velha Maria Dudavive toda arrepiadaque chega ficou beiçudaela contou a vizinhaque sonhou a noite todinhacom a perna cabeludaDizem que a perna éda parte de satanáse vive andando no mundopara perturbar a paze do sujeito desordeiromentiroso, arruaceiroela vive sempre atrásA perna cabeluda vivetodo instante e toda horaatrás da moça que andacom o umbigo de forapois a perna cabeludavendo uma moça peitudanunca mais que ir emboraA perna cabeluda gostade sujeito cabeludoe do cabra que fala finomulher galheira e xifrudoQuem anda fora de horacom a perna preta agoravai desertar quase tudoA véia debaixo da camachamada Zefa Beiçudacriando a bicharadafeia, parecendo um “juda”quando ela saiu forae encontrou-se na horacom a perna cabeludaQuando a véia viu a pernaquis correr não pode maisa véia saiu na carreirae a perna correu atráse quando a véia entrouem casa, a perna chegoupior do que satanásA perna falou pra velha:– Se apronte que é horade você pagar-me tudoque fez por aí aforadisse a velha beiçuda:– Nem de perna cabeludaeu estou gostando agoraDisse a perna cabeluda– Você vai quebrar no becoa minha parada é duraeu sou irmã de Pachecovocê correndo eu lhe pegohoje aqui a volta é pregoe o ponche é nabo secoA véia beiçuda disse:– Em você não tenho févou lhe mostrar quem eu soupra saber vece que ée a perna cabeludapartiu pra Zefa Beiçudadando coice e pontapéA véia caiu no chãoe a perna se danoudando pesada em tudotodos os bichos soltouo macaco fez carreiradanou-se na capoeiranunca mais voltouO cachorro pegou latire o burro pegou rincharenquanto o gato miavao porco danou se a roncare véia Zefa Beiçudavendo a perna cabeludasua cama revirarA cama virou com tudoficando os “cacos” no chãoe a perna cabeludadeu um coice no leãoenquanto a véia chamavaa cobra qu’ela criavapara entrar em açãoA cobra mordeu o porcoela saltou muito aléma cobra estava com raivamordeu a véia tambéma véia Zefa Beiçudaviu a perna cabeludacorrendo igualmente o tremA véia Zefa Beiçudamorreu debaixo da camae a perna cabeludaaonde alguém não lhe chamachega sem ser esperadajá foi vista na estradaperto de TuparetamaE o cabra que for chifrudocuidado, muito cuidadoa perna cabeluda gostado cabra que é veadopra lhe dar um contra-tempoe lhe servir de exemplodo que é bom está guardadoE o ditado que dizleve a trouxa pra lavarde olho na boutique delae quem quiser palestrarnamorando o filho da véiabrincando bilu tetéiavai ver a perna chegarA maior parte do povotudo que deseja fazvive fazendo do mundoos gostos de satanáshoje só há perdiçãoódio, inveja e perdiçãoo mundo não presta maisDeus Eterno e Poderosodaí-me vossa proteçãopara ver se o povo saida vala de perdiçãodaqui para o fim da eranada de bom se esperapor causa da corruçãoVamos pedir proteçãoa Nossa Senhora das Dorese a Jesus Nazarenoque é Pastor dos pastoresestamos no fim do mundosó Deus pode num segundodefender os pecadoresCom esta santa oraçãoO satanás afastamosSem ter nenhum medo vamosTodos entrar em açãoA virgem da ConceiçãoLhe pedir com viva féE na matriz do CanindéImplorar a São FrancisocoTer confiança sem riscoEm Jesus, Maria e José. 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