cordel revista antigas E Tudo Vem a Ser Nada abril 25, 2024 URL Copied Silvino PirauáTanta riqueza inseridaPor tanta gente orgulhosa,Se julgando poderosaNo curto espaço da vida;Oh! que idéia perdida.Oh! que mente tão errada,Dessa gente que enlevadaNessa fingida grandezaJunta montões de riqueza,E tudo vem a ser nada.Vemos um rico pomposoAfetando gravidade,Ali só reina bondade,Nesse mortal orgulhoso,Quer se fazer caprichoso,Vive de venta inchada,Sua cara empantufada,Só apresenta denodosTem esses inchaços todosE tudo vem a ser nada.Trabalha o homem, pelejaMesmo a ponto de morrer,É somente para ter,Que ele se esmoreja,As vezes chove e trovejaE ele nessa enredadaÀ lama, ao sol, ao chuveiro,Ajuntam muito dinheiro,E tudo vem a ser nada.Temos palácios pompososDos grandes imperadores,Ministros e senadores,E mais vultos magestosos;Temos papas virtuososDe uma vida regrada,Temos também a espadaDe soberbos generais,Comandantes, Marechais,E tudo vem a ser nada.Honra, grandezas, brazões;Entusiasmos, bondades;São completas vaidadesSão perfeitas ilusões,Argumentos, discursões;Algazarra, palavrada,Sinagoga, caçoada,Murmúrios, tricas, censura,Muito tem a criatura,E tudo vem a ser nada.Vai tudo numa carreiraEnvelhece a mocidade,A avareza e a vaidadeÉ quer queira ou não queira;Tudo se torna em poeira,Cá nesta vida cançadaÉ uma lei promulgadaQue vem pela mão Divina,O dever assim destinaE tudo vem a ser nada.Formosuras e ilusões,Passa-tempos e prazeres;Mandatos, altos poderes;De distintos figurões,Cantilenas de salões;E festa engalanada,Virgem-donzela enfeitadaNo gozo de namorar,Mancebos a flautear,E tudo vem a ser nada.Lascivas, depravaçõesNa imoral petulância,São enlevos da infância,São infames Corrupções;São fingidas seduçõesQue faz a dama enfeitadaInflui-se a rapaziadaVelhos também de permeioE vivem nesse paleio,E tudo vem a ser nada.Bailes, teatros, festins,Comadre, drama, assembléa,Club, liceu, epopéa;Todos aguardam seus fins,Flores, relvas e jardins,Festas com grande zuada,Outeiro e CampinadaFrondam, compam e florescem,Brilham, luzem, resplandecemE tudo vem a ser nada.O homem se julga honrado,Repleto de garantia,De brazões e fidalguiaÉ ele considerado,Mas, quanto está enganadoNesta ilusória pousadaCá nesta breve morada.Não vemos nada imortalTemos um ponto final;E tudo vem a ser nada.Tudo quanto se divisaNeste cruento torrão,As árvores, a criação,Tudo em fim se finaliza,Até mesmo a própria brisa,Soprando a terra escarpada,Com força descompassadaSe transformando em tufão,Deita pau rola no chão,E tudo vem a ser nada.Infindo só temos Deus,Senhor de toda a grandeza,Dos céus e da natureza,De todos os mundos seus.Do Brasil, dos Europeus,Da terra toda englobadaAté mesmo da manadaQue vemos no arrebol:Nuvem, lua, estrela e sol,Tudo mais vem a ser nada. Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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