cordel revista antigas ALEXANDRE DE GUSMAO - GENIO E HEROI BRASILEIRO maio 14, 2024 URL Copied Literatura de CordelALEXANDRE DE GUSMAOGENIO E HEROI BRASILEIROAutor: Crispiniano NetoQuem é 0 autor?Crispiniano Neto é poeta popular e jornalista. Tem 11 livros, umCD emais de 120 folhetos publicados. Atualmente é presidente da Funda¢ao José Augusto e um dos principais articuladores dos cordelistas.na serene da -importância desse género literário essencialmente brasileiro.01Musa divina que inspiraPoetas do mundo inteiro,Traz-me os fluidos do ParnasoE o saber mais verdadeiroPra que eu decante a nação,Alexandre de Gusmão,Um grande herói brasileiro!02Mas não se trata de heróiDe músculos, de espada e aço,Nem dos quadrinhos que trazemSuperpoderes do espaço;Não é filho de deus grego,Cow-boy, nem homem morcego,Nem valentão do cangaço!03Mas como chamar de herói,Que não brigou nem matou?Quem não se impôs pela espada,Quem canhão não disparou,Quem a lança não brandiu,Quem bombas nunca explodiu,Quem Pais nunca atacou?04Tenha calma, meu leitor,Vou lhe explicar, não se zangue,A história desse herói,Sem guerra, sem bangue-bangue. |Sem flecha, espada ou fuzil,Que fez crescer o BrasilSem jamais derramar sangue!05Esse nome de Alexandre .Ele herdou do seu padrinho,Um padre que lhe ensinouDa justiça o bom caminho.E o sobrenome GusmãoVem também do capelãoComo a Bíblia, a hóstia e o vinho.06Trouxe o destino de outroAlexandre do passado,O guerreiro macedônio,De ser grande e preparado...S6 que o guerreiro iracundoQue conquistou meio mundoFez com sangue derramado.07Alexandre de GusmãoNasceu no Porto de SantosEm “Um, meia, nove, cinco”Numa família de tantosIrmãos e irmãs queridas;Até então, oito vidasDadas as rezas € aos mantos.08Filho de Maria Alvares;E Lourenço, cirurgião;Dos doze filhos nascidosTêm destaque, ele e o irmão,Religioso e inventor,Nosso “Padre-voador”“Bartolomeu de Gusmão!09Inventor do aeróstato,Foi este’ padre exemplarQue provou perante o reiQue era possível voar;Ao ver uma bolha quenteFez um balão ascendentePor ser mais leve que o ar!10Pois Bartolomeu levouAlexandre pra Bahia,No Colégio de BelémDemonstrou sabedoria;Foi pra o Colégio das ArtesPor ser de todas as partesO melhor que existia!11Dali saiu preparadoDiplomado, competente,Em Latim, Retorica e Ética,E em Logicas, logicamente,Em Metafisica, versadoE o titulo consideradoDe “Filosofo excelente”.12Mil setecentos e-dezCom quinze anos de idadeO padre reconhecendoSua genialidadeMandou-o pra Portugal,Foi pra Corte ImperialFazer universidade.13Matriculou-se em CoimbraMostrando grande valor.Ali estudou, formou-se,Ganhou grau superior.Com seu saber cientistaSe tornou iluministaGanhando anel de doutor.14Dali seguiu pra Paris.Estudar mais era o plano;Secretario da EmbaixadaLogo assumiu sem engano...Fez em Sorbonne, fantástico,O Direito Eclesiástico,O Civil e o Romano.15Na passagem pela Espanha, \Em Madrid passou semanasVendo o Tratado de UtrechtCom falhas meridianasE o limite naturalEntre Espanha e PortugalNas terras americanas.16Foi em Paris que GusmãoAprofundou seu saberNa Ciência da PoliticaMergulhou pra conhecerSeu sentimento profundoE o jogo eterno do mundoDos mistérios do poder!17La na Paris do Rei SolA nova luz se acendiaNa mente do brasileiroQue trocou Teologia:Pela Razão e a Critica,Iluminismo e Politica,Direito e Diplomacia!18Desistiu do sacerdócioInquisidor antiquado.Notou que o clericalismoDa fogueira, era apagado;E ao ler estratégia e táticaConheceu a essência praticaDas duras razões de Estado.19E em 19 voltouA residir em Lisboa.O Rei Dom João acolheu-oComo querida pessoa;O nomeou secretarioE plenipotenciárioPra defender a Coroa!20No ano 20 cumpriuMissão muito especialnegociando‘ em Cambray,Em plena França real;Foi um bravo sem bravataQue se sagrou diplomataDe nível internacional!21Bacharelou-se em Direito,Tornou-se Doutor em Leis,Foi destacado pra RomaNo ano de 23Pra junto as cortes papaisRecuperar o cartazDo monarca português!22Até o ano de trintaAtuou no VaticanoFazendo grandes acordosPra o bem do seu soberano,Ganhou, por ser habilíssimo,O titulo de “Fidelíssimo”Pra o Monarca lusitano!23Com o titulo Dom João VCompunha trio de escol;Pois 0 titulo equivaliaA “Rei Católico” espanholE o titulo invejadíssimoQue era “Rei Cristianíssimo”Da Franga, o próprio Rei Sol.24Sete anos e três papasO viram nesta missãoDe defender junto a Roma,Sua querida nação.Muitos litígios zerou,E, de quebra, conquistou,Dos papas o coração!25Benedito XIII, o Papa,Chamou-lhe no VaticanoChegou a lhe oferecerO titulo “Príncipe Romano”Ele não quis aceitarSó pra não contrariarA Dom Joao, seu soberano!26No ano de29A Lisboa regressouLogo Dom Joao pra o BrasilAlexandre despachouE a nossa realidadeCom muita profundidadeGusmão de perto estudou.27Dois anos passou conosco,Retornou a Portugal,La transformou-se em FidalgoDa Nobre Casa Real;Como Ciências, sabia,Entrou para a Academia ‘Provando ser genial.28E logo foi nomeadoPela própria Majestade,Num cargo bem próximo ao Rei,“Escrivão da Puridade”,E por ter visão modernaCuidou da politica externaCom brio e capacidade!29Transformou-se em ConselheiroMostrando cultura e tino,Escreveu livro de HisteriaNo idioma latinoE por ser hábil e ser sérioAssumiu um MinistérioNo Conselho Ultramarino.30O cuidado com o BrasilFoi um dos encargos seus;Das relações com 0 Papa,Cuidava em nome de DeusE cuidou mais, com denodos,De ter relações com todosOs países europeus.31No Conselho UltramarinoEncontrou a soluçãoPra poder qualificarNossa colonizaçãoTrazendo família inteiraDos Açores e Madeira,Mas, sem escravização!32Trouxe quatro mil casaisPara a região do sulinaRio Grande e ParanáTambém Santa Catarina.Cada família, uma área...O que é reforma agraria,E Gusmão quem nos ensina.33Recomendava a quem vinhaPara o Brasil trabalhar:Estude rios e minas,Flora, fauna, céus e mar,O clima, a arte, a vertenteE os costumes dessa genteComer, vestir e€ rezar.34Dedicou-se a estudarAs produções cartográficas,Missões, Entradas, Bandeiras,As bacias hidrografias,Relevo, edificações...Geopolítica por razoesHistéricas e geográficas.35Concluiu que os paísesNão podem ter suas áreasDivididas ao saborDe linhas imaginarias;Que têm sempre as desvantagensDe deixar milhões de margensPara interpretações varias.36Sua visão panorâmicaE a mente prodigiosa,O seu saber filosófico,Sua ação habilidosaDeram-lhe mais competênciaPara a área da Ciência,Politica e religiosa!37Foi quem criou três bispadosPara, são Paulo e Gerais.Criou mais as prelaziasDe Cuiabá e GoiásE como pensava em tudoFez o mais profundo estudoDas quest6es industriais.38Naqueles tempos longínquosDeixou um projeto expostoObrigando aos poderososA pagarem mais impostoE rebaixando a quantiaPara o pobre que viviaDo suor do próprio rosto!39E implantou o sistemaChamado “capitão”Pelo numero de escravosQue possuía o barão;Fundiu 0 ouro e fez barras,Pra ver se acabava as farrasDe tanta sonegação.40Entre 29 e 30No Brasil permaneciaEm São Paulo, Minas, RioAtuou com maestriaEm tudo que o rei mandouE de quebra, inda. aceitou,Ensinar Filosofia.41Nesse período ele viuQue as fronteiras da naçãoDesenhada em TordesilhasJá não tinham mais razãoDe usufruir validadePois, frente a realidade;Era simples ficção!42Das Ilhas de cabo VerdeTrezentas, setenta léguasNinguém havia medidoE assim, sem metros e réguasBandeirantes desde cedoFora ocupando sem medoSem leis, limites ou tréguas.43Os espanhóis no PacificoSe entreterão próximo ao mar,Destruindo Incas e MaiasE a prata a desenterrarSe esquecendo de um mundão,Um profundo De-SertãoQue tinha pra conquistar!44Neste “vazio” ficavaPara, Rondônia, Amapá,Catarina e Mato GrossoRio Grande e Paraná,Amazonas, chão goiano...Tudo... do MeridianoDe Tordesilhas pra 1a!!!45Se a linha era imaginaria,Quem iria imaginarSe ela ficava mais perto,Se mais longe ia ficar...E haja procurar tesouro,Haja sonhar prata e ouro,Haja índio escravizar!!!46E assim foram furandoPântanos, matas, rios, serras;Fazendo arraiais e vilasSe apossando em novas terrasChantando marcos e crivosE oferecendo aos nativosVida escrava ou morte em guerras!47Era a espada cortando,E a batina benzendo,O arcabuz trovejandoE a aguardente fervendo,Miçanga aos índios comprando,O mato abrindo e fechandoE o nosso Brasil crescendo!48Matas cedendo ao machado,A foice, ao Rabo-de-galo,O chifre do boi tangidoPelo casco do cavalo,O “hinterlând” se ampliandoE Tordesilhas ficandoSem mais ninguém respeita-lo!49Além de não existirMarco e fiscalizaçãoDurante umas oito décadas' Existiu. a uniãoEntre Portugal ¢Espanha...Cada qual comeu na manhaMilhões de léguas do “irmão”!50Enquanto aqui, portugueses,Rasgavam matas a eito,Cortavam serras e riosLevando o Brasil no peito,Na região asiática,Espanha com a mesma praticaAgia do mesmo jeito!51Mas quando se separaramAs duas nações ibéricas,As invas6es prosseguiramFossem calmas, fossem histéricasEspanha tomou chão lusoNa Asia e sofreu abusoDe Portugal nas Américas!52Além disso, Sacramento,Aonde a prata aflorava,Portugal se achava donoMas por dono nao se achavaEspanha entrou, não saia...Quanto mais acordo haviaMais acordo se quebrava.53Assim como portuguesesEm terras americanasComiam terras d’Espanha,Na Asia, m4os castelhanasCom chumbo, espadas, botinasEngoliam Filipinas,Moluscas e Marianas.54Quanto mais as ambiçõesNo chão se concretizavamMais guerras se sucediam,Mais ódios se destilavam,Mais corações se partiamMais sangue as terras bebiamMais vidas se consumavam!55Foi quando se viu que a horaNão era mais do leãoQue era hora da raposaEntrar no campo da açãoTrocando a dor da violênciaPela luz da inteligência;O chumbo pela razão!!!56E então saíram da cenaJagunços e generais;Em vez de brutos guerreiros,Finos intelectuais -Mapas em vez de canhoes...Em vez do tiro, as razoes;No lugar da guerra, a paz!57E ai brilhou AlexandreCom mapas e argumentos...A fala mansa e os estudosNo lugar dos armamentos,A paciência que ensinaNo lugar da adrenalinaDos músculos sanguinolentos!58Defendeu que o limiteFosse o rastro do colono,Com base em rios € serras,Não em linhas do abandonoFeitas de sonho e confetes...Era o “Uti possidetis”Quem ocupa e cuida, é dono.59Foi assim que em quatro anosAgigantou-se a naçãoAlexandre costurouAs bordas de um Brasilzão, Do Oiapoque ao Chuí, Até quase PotosíCom jeitão de coração!60O arco de TordesilhasDe cara, cresceu três vezes;No Norte, no Sul, no Centro,Com chio pra nobres, burgueses,Pra índios, padres, reinóis,Com a prata pra os espanhóis,O ouro pra os portugueses!61Gusmão inda amarrou maisQue a paz beijaria a terra,Do Brasil, mesmo que as sedesDos reinos chegassem a guerra.Venceu sem canhão nem botaCom “quengo”, na maciota,Que “o bom cabrito não berra”.62Pois este génio, este herói,Avo da diplomaciaBrasileira, que deu gloriasE terras a monarquia,Que‘ a Portugal deu poderQue fez o Brasil crescer,Foi vitima da tirania!63Quando Dom José cobriu-seComa coroa portuguesaMarquês de Pombal cobriuGusmão com ódio e vilezaO fogo apegou-lhe os brilhosDa esposa e de dois filhosE ele morreu na pobreza64A Historia lhe roubouAs glorias que mereciaPor isto, eu faço justiçaNesta humilde poesiaA ALEXANDRE GUSMAO,Génio da paz, campeãoDa luz da diplomacia!Fundação Alexandre de Gusmão. 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