cordel revista antigas Antônio Silvino vida, crimes e julgamento maio 29, 2024 URL Copied Leitor, em versos rimados Vou minha história contar, Os crimes que pratiquei Venho agora confessar. Jurando que da verdade Jamais me hei de afastar.Pedro Batista de Almeida E Balbina de Morais, Casados catolicamente, Foram meus legítimos pais, Nascidos em Pernambuco.E do Pajeú naturais.Nas margens do Pajeú No distrito de Ingazeira, Junto à Serra da Colônia Vi o sol a vez primeira; Ao nascer trouxe nas veias Sangue da raça guerreira.Nasci em setenta e cinco, Num ano de inverno forte, No dia dois de novembro, Aniversário da morte; Por isso o cruel destino Deu-me de bandido a sorte.Meu avô foi muito rico E meu pai foi abastado, Mas não me mandou educar, Porque onde eu fui criado O povo não aprecia O homem civilizado.Ali se aprecia muito Um cantador, um vaqueiro, Um amansador de potro Que seja bem caatingueiro, Um homem que mata onça Ou então um cangaceiro.Meu pai fez diversas mortes, Porém não era bandido; Matava em defesa própria Quando se via agredido, Pois nunca guardou desfeita, Morreu por ser atrevido.Enquanto eu era pequeno Aprendi a trabalhar, Chegando aos 14 anos Dediquei-me a vaquejar. Abracei aos vinte anos A profissão de matar.No ano noventa e seis Meu pai foi assassinado Pela família dos Ramos, Já sendo nosso intrigado, Um deles, o José Ramos, Que era subdelegado.Para punir esse crime Ninguém se apresentou; A Justiça do lugarTambém não se interessou; Aos bandidos a policia Pareceu que auxiliou...E eu, que vi a Justiça Mostrar-se de fora à parte, Murmurei com meus botões: -Também eu hei de arrumar-te!Não quero código melhor Do que seja o bacamarte.Eu chamei pela Justiça, Esta não quis me escutar, Vali-me do bacamarte, Que me velo auxiliar. Nele achei todas as penas Que um código pode encerrar!No bacamarte eu achei Leis que decidem questão, Que fazem melhor processo Do que qualquer escrivào, As balas eram os soldados Com que eu fazia prisão.Minha justiça era reta Para qualquer criatura, Sempre prendi os meus réus Em casa muito segura: Pois nunca se viu ninguém Fugir duma sepultura!No dia cinco de junho Do ano noventa e três, Fiz eu as primeiras mortes Matando dois de uma vez! Manuel Ramos Cabeceira E um tal João Rosa de Arês.Depois que fiz essas mortes, Fiquei desacomodado, Começaram a perseguir-me. De Ingazeira o delegado, Um tal de Francisco Brás, Matei-o, fiquei vingado.Então a família Ramos Fugiu para Imaculada, Onde por Delmiro Dantas Foi protegida e guardada, Nunca mais peguei um deles Nem mesmo numa emboscada.Desde esse tempo que vivo Sofrendo perseguição,Mas com minha atividade Sempre evitei a prisão, Vendo-me, assim, obrigado A fazer-me valentão!No ano noventa e sete, Um meu parente e amigo, O velho Silvino Aires, Dissera-me: Vem comigo Ao Teixeira, que eu preciso Vingar-me de um inimigo.De noventa e sete, em junho, Nós cercamos o Teixeira. O delegado Dantinho Deu uma boa carreira, Foi isso que o livrou De uma surra ligeira...Porque meu tio Silvino Desejava castigar Esse delegado afoitoQue um dia mandou cercar Sua fazenda, e os móveis De casa mandou quebrar.Quando nos desenganamos, De não pegar o Dantinho, Voltamos pra o Pajeú, Pra lugar que nos convinha; Dali fomos pra Campina, Onde uns parentes eu tinha.ler mais no pdf Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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