cordel revista antigas Chapeuzinho vermelho: versão versejada - cordel maio 08, 2024 URL Copied Manoel MonteiroERA UMA VEZ, é assimque começa: ERA UMA VEZQue todo conto começa,E, se sempre assim se fezNão vou fazer diferenteVou começar lentamenteContando um conto a vocês.Pense uma casinha brancaBem ao lado da estradaCom o telhado vermelho,Porta e janela, alpendrada,Chaminé, céu azulado;EIS O CENÁRIO MONTADOPara a história ser contada.Nessa casinha que estáLogo ali a nossa frenteMorava uma garotinhaBela, doce, inteligente,Dessas que alegram o espelhoEra “Chapeuzin” VermelhoQuerida por toda gente.Ganhou esse nome porAndar com uma capinhaE um capuz dessa cor,Esse costume que tinhaDe usar capa e capuzDava-lhe o brilho da luzQue o sol tem de manhazinha.Os olhos de ChapeuzinhoEram azuis e o rostoDa cor de romã, a peleMacia que dava gosto,A face, tela pueril,A voz, sonata infantil,Qual trino d’ave composto.A Chapeuzinho VermelhoUm dia alegre brincavaAtrás de uma borboletaQue de flor em flor pousavaNisso ouviu a mãe chamarE dar-lhe um cesto a levarPara a vó que o aguardava.No cesto que sua mãeMandou para a vovozinhaTinha uns bolinhos de milho,De centeio e de farinha,Potes de geleia? Oito,Uns cem gramas de biscoito,Uma torta bem quentinha.A avó de ChapeuzinhoMorava meio distante,Quando a neta a visitavaVibrava de radianteIsso por só ter aquelaNetinha tão boa e bela,Bela, boa e cativante.Sua mãe pediu-lhe queFosse imediatamenteLevar o presente paraVovó que estava doente,Mas, evitasse a floresta,Pois diziam morar nestaUm lobo muito insolente.A menina disse: Eu seiMamãe fique descansada.E saiu cantarolandoA colher flor pela estradaPara com elas formarUm buquê e ofertarA sua avó tão amada.De flor em flor distraiu-seE foi adentrando a mataNem percebeu quando um vultoDe cauda, focinho e pata,Aspecto feio, e, robusto,Falou: Bom dia! Que susto!Sentiu nessa hora exata.Quem deu o – bom dia – foiO lobo que a mãe falou,Ela respondeu: Bom dia,Ao que o lobo perguntou:O que levas nessa cestinha?Disse ela é pra vovozinhaQue minha mãe preparou.E tua avó mora longe?Perguntou a Chapeuzinho,- Depois do Carvalho Grande,É logo ali pertinho,Ela anda meio doentePor isso vai-lhe um presenteDe torta, doce e bolinho.O lobo disse, já vou,Nem esperou despedidaEntrou de floresta a dentroNuma pressa desmedidaPois sua “mente perversa”Sentiu naquela conversaCheiro e gosto de comida.Lobo todo dia temUm problema a resolverÉ que sua barriguinhaFica exigindo comer,Por isso ao sabê-la sóFoi a casa da vovóEssa questão resolver.Chegou lá bateu a portaDe dentro a boa velhinhaPerguntou quem está batendo .Respondeu: Sua netinha.A vó estranhou um poucoAquele som feio e roucoQue a voz da neta não tinha.E um tanto desconfiadaIndagou: Estás doente?Porque essa tua vozSoa-me tão diferente?O lobo disse: Não sei,Deve ser por que tomeiUm pouquinho d’água quente.A vovó ordenou: Entre.A porta não estava travadaO lobo faminto entrouE pulou sobre a coitada,Duma abocanhada sóTragou a pobre vovóIndefesa e assustada.Mas achou pouco o almoçoEntão para completarDeitou na cama da vóCobriu-se e foi esperarQue chapeuzinho chegassePra ele se empanturrar.Poucos minutos depois“Chapéu” Vermelho chegouSem bater a porta logoFoi entrando e entregouAs florzinhas que colheuA “vó” que agradeceuAo tempo em que perguntou:Querida neta o que trazesNa cesta que tens a mão?- São bolinhos pra senhora,Mas vovó que vozeirão,O que é que a senhora tem?- É uma gripe, meu bem,Que deu-me esta rouquidão.O lobo imitando a vóCom voz gutural a chamaNetinha dos meus amoresSabes que vovó te ama?Chapeuzinho, meu amor,Venha sentar, por favor,Ao lado da minha cama.E Chapeuzinho VermelhoAo atender seu pedidoOlhando um braço da vóTão peludo e compridoEstranhando murmurou:- Vovó seu braço aumentouE eu nem tinha percebido.Esses meus braços, netinha,São para melhor te abraçar.- E esses teus olhos grandes?São para melhor te enxergar.- Vovó, peço que me informesSe essas orelhas enormesSão para melhor me escutar.São, meu bem adivinhastes,És das mais inteligentes.- Então vovó, me responda,Para que lhe servem os dentesE essa enorme bocarra?São para fazerem uma farraMastigando os inocentes.Chapeuzinho teve um sustoAo perceber o engano,Não era a vó, era o lobo,Esfomeado e tiranoQue pôs sua avó na pança,E ela, pobre criançaIria entrar pelo cano.Quando o lobo abriu a bocaPara engolir ChapeuzinhoUm caçador que passavaDeu-lhe um “tiro” no focinho,Ele, no susto, expeliuA vovozinha que viuA morte bem de pertinho.A vovó saiu ilesaDizendo: Escapei legal!Essa sua fala é ditaOlhando pra o pessoalDa plateia porque essaFala marca o FIM DA PEÇAEncenada no local.Isto por que ChapeuzinhoVermelho, vovó, lobãoE o caçador são atoresPara mostra-lhes que nãoTem bicho mau, e, insisteQue LOBO MAL SÓ EXISTEEM LIVROS DE FICÇÃO. Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
Manoel Monteiro
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