cordel revista antigas O cavalo que defecava dinheiro - Cordel maio 07, 2024 URL Copied Leandro Gomes de BarrosNa cidade de MacaéAntigamente existiaUm duque velho invejosoQue nada o satisfaziaDesejava possuirTodo objeto que viaEsse duque era compadreDe um pobre muito atrasadoQue morava em sua terraNum rancho todo estragadoSustentava seus filhinhosNa vida de alugado.Se vendo o compadre pobreNaquela vida privadaFoi trabalhar nos engenhosLonge da sua moradaNa volta trouxe um cavaloQue não servia pra nadaDisse o pobre à mulher:_ Como havemos de passar?O cavalo é magro e velhoNão pode mais trabalharVamos inventar um “quengo”Pra ver se o querem comprar.Foi na venda e de lá trouxeTrês moedas de cruzadoSem dizer nada a ninguémPara não ser censuradoNo fiofó do cavaloFoi o dinheiro guardadoDo fiofó do cavaloEle fez um mealheiroSaiu dizendo: _ Sou rico!Inda mais que um fazendeiro,Porque possuo o cavaloQue só defeca dinheiro.Quando o duque velho soubeQue ele tinha esse cavaloDisse pra velha duquesa:_Amanhã vou visitá-loSe o animal for assimFaço o jeito de comprá-lo!Saiu o duque vexadoFazendo que não sabia,Saiu percorrendo as terrasComo quem não conheciaFoi visitar a choupana,Onde o pobre residia.Chegou salvando o compadreMuito desinteressado:_Compadre, como lhe vai?Onde tanto tem andado?Há dias que lhe vejoParece está melhorado…_É muito certo compadreAinda não melhoreiPorque andava por foraFaz três dias que chegueiMas breve farei fortunaCom um cavalo que comprei._Se for assim, meu compadreVocê está muito bem!É bom guardar o segredo,Não conte nada a ninguém.Me conte qual a vantagemQue este seu cavalo tem?Disse o pobre: _Ele está magroSó o osso e o couro,Porém tratando-se deleMeu cavalo é um tesouroBasta dizer que defecaNíquel, prata, cobre e ouro!Aí chamou o compadreE saiu muito vexado,Para o lugar onde tinhaO cavalo defecadoO duque ainda encontrouTrês moedas de cruzado.Então exclamou o velho:_Só pude achar essas três!Disse o pobre: _Ontem à tardeEle botou dezesseis!Ele já tem defecado,Dez mil réis mais de uma vez._Enquanto ele está magroMe serve de mealheiro.Eu tenho tratado deleCom bagaço do terreiro,Porém depois dele gordoNão quem vença o dinheiro…Disse o velho: _Meu compadreVocê não pode tratá-lo,Se for trabalhar com eleÉ com certeza matá-loO melhor que você fazÉ vender-me este cavalo!_Meu compadre, este cavaloEu posso negociar,Só se for por uma somaQue dê para eu passarCom toda minha família,E não precise trabalhar.O velho disse ao compadre:_Assim não é que se fazNossa amizade é antigaDesde os tempo de seus paisDou-lhe seis contos de réisAcha pouco, inda quer mais?_Compadre, o cavalo é seu!Eu nada mais lhe direi,Ele, por este dinheiroQue agora me sujeiteiPara mim não foi vendido,Faça de conta que te dei!O velho pela ambiçãoQue era descomunal,Deu-lhe seis contos de réisTodo em moeda legalDepois pegou no cabrestoE foi puxando o animal.Quando ele chegou em casaFoi gritando no terreiro:_Eu sou o homem mais ricoQue habita o mundo inteiro!Porque possuo um cavaloQue só defeca dinheiro!Pegou o dito cavaloBotou na estrebaria,Milho, farelo e alfaceEra o que ele comiaO velho duque ia lá,Dez, doze vezes por dia…Aí o velho zangou-seComeçou loga a falar:_Como é que meu compadreSe atreve a me enganar?Eu quero ver amanhãO que ele vai me contar.Porém o compadre pobre,(Bicho do quengo lixado)Fez depressa outro planoInda mais bem arranjadoEsperando o velho duqueQuando viesse zangado…O pobre foi na farmáciaComprou uma borrachinhaDepois mandou encher elaCom sangue de uma galinhaE sempre olhando a estradaPré ver se o velho vinha.Disse o pobre à mulher:_Faça o trabalho direitoPegue esta borrachinhaAmarre em cima do peitoPara o velho não saber,Como o trabalho foi feito!Quando o velho aparecerNa volta daquela estrada,Você começa a falarEu grito: _Oh mulher danada!Quando ele estiver bem perto,Eu lhe dou uma facada.Porém eu dou-lhe a facadaEm cima da borrachinhaE você fica lavadaCom o sangue da galinhaEu grito: _Arre danada!Nunca mais comes farinha!Quando ele ver você mortaParte para me prender,Então eu digo para ele:_Eu dou jeito ela viver,O remédio tenho aqui,Faço para o senhor ver!_Eu vou buscar a rabecaComeço logo a tocarVocê então se remaxaComo quem vai melhorarCom pouco diz: _Estou boaJá posso me levantar.Quando findou-se a conversaNa mesma ocasiãoO velho ia chegandoAí travou-se a questãoO pobre passou-lhe a faca,Botou a mulher no chão.O velho gritou a eleQuando viu a mulher morta:_Esteja preso, bandido!E tomou conta da portaDisse o pobre: _Vou curá-la!Pra que o senhor se importa?_O senhor é um bandidoInfame de cara duraTodo mundo apreciavaEsta infeliz criaturaDepois dela assassinada,O senhor diz que tem cura?Compadre, não admitoO senhor dizer mais nada,Não é crime se matarSendo a mulher malcriadaE mesmo com dez minutos,Eu dou a mulher curada!Correu foi ver a rabecaComeçou logo a tocarDe repente o velho viuA mulher se endireitarE depois disse: _Estou boa,Já posso me levantar…O velho ficou suspensoDe ver a mulher curada,Porém como estava vendoEla muito ensanguentadaCorreu ela, mas não viu,Nem o sinal da facada.O pobre entusiasmadoDisse-lhe: _Já conheceuQuando esta rabeca estavaNa mão de quem me vendeu,Tinha feito muitas curasDe gente que já morreu!No lugar onde eu estiverNão deixo ninguém morrer,Como eu adquiri elaMuita gente quer saberMas ela me está tão caraQue não me convém dizer.O velho que tinha vindoSomente propor questão,Por que o cavalo velhoNunca botou um tostãoQuando viu a tal rabecaQuase morre de ambição._Compadre, você desculpeDe eu ter tratado assimPorque agora estou certoEu mesmo fui o ruimPorém a sua rabecaSó serve bem para mim._Mas como eu sou um homemDe muito grande poderO senhor é um homem pobreNinguém quer o conhecerPerca o amor da rabeca…Responda se quer vender?_Porque a minha mulherTambém é muito estouvadaSe eu comprar esta rabecaDela não suporto nadaSe quiser teimar comigo,Eu dou-lhe uma facada._Ela se vê quase mortaJá conhece o castigo,Mas eu com esta rabecaSalvo ela do perigoEla daí por diante,Não quer mais teimar comigo!Disse-lhe o compadre pobre:_O senhor faz muito bem,Quer me comprar a rabecaNão venderei a ninguémCusta seis contos de réis,Por menos nem um vintém.O velho muito contenteTornou então repetir:_A rabeca já é minhaEu preciso a possuirEla para mim foi dada,Você não soube pedir.Pagou a rabeca e disse:_Vou já mostrar a mulher!A velha zangou-se e disse:_Vá mostrar a quem quiser!Eu não quero ser culpadaDo prejuízo que houver._O senhor é mesmo um velhoAvarento e interesseiro,Que já fez do seu cavaloQue defecava dinheiro?_Meu velho, dê-se a respeito,Não seja tão embusteiro.O velho que confiavaNa rabeca que comprouDisse a ela: _Cale a boca!O mundo agora virouDou-lhe quatro punhaladas,Já você sabe quem sou.Ele findou as palavrasA velha ficou teimando,Disse ele: _Velha dos diabosVocê ainda está falando?Deu-lhe quatro punhaladasEla caiu arquejando…O velho muito ligeiroFoi buscar a rabequinha,Ele tocava e dizia:_Acorde, minha velhinha!Porém a pobre da velha,Nunca mais comeu farinha.O duque estava pensandoQue sua mulher tornavaEla acabou de morrerPorém ele duvidavaDepois então conheceuQue a rabeca não prestava.Quando ele ficou certoQue a velha tinha morridoBoto os joelhos no chãoE deu tão grande gemidoQue o povo daquela casaFicou todo comovido.Ele dizia chorando:_Esse crime hei de vingá-loSeis contos desta rabecaCom outros seis do cavaloEu lá não mando ninguém,Porque pretendo matá-lo.Mandou chamar dois capangas:_Me façam um surrão bem feitoFaçam isto com cuidadoQuero ele um pouco estreitoCom uma argola bem forte,Pra levar este sujeito!Quando acabar de fazerMande este bandido entrar,Para dentro do surrãoE acabem de costurarO levem para o rochedo,Para sacudi-lo no mar.Os homens eram dispostosFindaram no mesmo dia,O pobre entrou no surrãoPois era o jeito que haviaBotaram o surrão nas costasE saíram numa folia.Adiante disse um capanga:_Está muito alto o rojão,Eu estou muito cansado,Botemos isto no chão!Vamos tomar uma pinga,Deixe ficar o surrão._Está muito bem, companheiroVamos tomar a bicada!(Assim falou o capangaDizendo pro camarada)Seguiram ambos pra vendaFicando além da estrada…Quando os capangas seguiramEle cá ficou dizendo:_Não caso porque não quero,Me acho aqui padecendo…A moça é milionáriaO resto eu bem compreendo!Foi passando um boiadeiroQuando ele dizia assim,O boiadeiro pediu-lhe:_Arranje isto pra mimNão importa que a moçaSeja boa ou ruim!O boiadeiro lhe disse:_Eu dou-lhe de mão beijada,Todos os meus possuídosVão aqui nessa boiada…Fica o senhor como dono,Pode seguir a jornada!Ele condenado à morteNão fez questão, aceitou,Descoseu o tal surrãoO boiadeiro entrouO pobre morto de medoNum minuto costurou.O pobre quando se viuLivre daquela enrascada,Montou-se num bom cavaloE tomou conta da boiada,Saiu por ali dizendo:_A mim não falta mais nada.Os capangas nada viramPorque fizeram ligeiro,Pegaram o dito surrãoCom o pobre do boiadeiroVoaram de serra abaixoNão ficou um osso inteiro.Fazia dois ou três mesesQue o pobre negociavaA boiada que lhe deramCada vez mais aumentavaFoi ele um dia passar,Onde o compadre morava…Quando o compadre viu eleDe susto empalideceu;_Compadre, por onde andavaQue agora me apareceu?!Segundo o que me parece,Está mais rico do que eu…_Aqueles seus dois capangasVoaram-me num lugarEu caí de serra abaixoAté na beira do marAí vi tanto dinheiro,Quanto pudesse apanhar!.._Quando me faltar dinheiroEu prontamente vou ver.O que eu trouxe não é pouco,Vai dando pra eu viverJunto com a minha família,Passar bem até morrer._Compadre, a sua riquezaDiga que fui eu quem dei!Pra você recompensar-meTudo quanto lhe arranjei,É preciso que me boteNo lugar que lhe botei!..Disse-lhe o pobre: _Pois não,Estou pronto pra lhe mostrar!Eu junto com os capangasNós mesmo vamos levarE o surrão de serra abaixoSou eu quem quero empurrar!..O velho no mesmo diaMandou fazer um surrão.Depressa meteu-se nele,Cego pela ambiçãoE disse: _Compadre eu estouÀ tua disposição.O pobre foi procurarDois cabras de confiançaSe fingindo satisfeitoFazendo a coisa bem mansaSó assim ele podia,Tomar a sua vingança.Saíram com este velhoNa carreira, sem pararSubiram de serra acimaAté o último lugarDaí voaram o surrãoDeixaram o velho embolar…O velho ia pensandoDe encontrar muito dinheiro,Porém sucedeu com eleDo jeito do boiadeiro,Que quando chegou embaixoNão tinha um só osso inteiro.Este livrinho nos mostraQue a ambição nada convémTodo homem ambiciosoNunca pode viver bem,Arriscando o que possuiEm cima do que já tem.Cada um faça por si,Eu também farei por mim!É este um dos motivosQue o mundo está ruim,Porque estamos cercadosDos homens que pensam assim. 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