cordel revista antigas O TESTAMENTO DO CACHORRO maio 09, 2024 URL Copied Leandro Gomes de BarrosO dinheiro neste mundoNão há força que o debandeNem perigo que o enfrenteNem senhoria que o mandeTudo está abaixo deleSó ele ali é o grande.Ele impera sobre um tronoCercado por ambiçãoO chaleirismo a seus pésSempre está de prontidãoPerguntando-lhe com cuidado:- O que lhe falta, patrão?No dinheiro tem-se vistoNobreza desconhecidaMeios que ganham questãoAinda estando perdidaHonra por meio da infâmiaGloria mal adquiridaPorque só mesmo o dinheiroTem maior utilidadeÉ o farol que mais brilhaPerante a sociedadeO código dali é eleA lei é sua vontade.O homem tendo dinheiroMata até o próprio paiA justiça fecha os olhosA polícia lá não vaiPassam-se cinco ou seis mesesVai indo, o processo cai.Compra cinco testemunhasQue depõem a seu favorAluga dois escrivãesE compra o procuradorFaz dois doutores de prataPronto o homem, meu senhor!Ainda que vá a júriCompra logo atenuanteDá um unto nos juradosSe livra no mesmo instanteTem o juiz a favorJurados e assim por diante.Essas questões muito sériasQue vão para o tribunalAli se exigem papéisQue levem prova legalCédulas de 500 fachosÉ o papel principal.Dinheiro dá eloquênciaA quem nunca teve estudoImprime coragem ao fracoDá animação a tudoVence batalhas sem armaFaz vez de lança e escudo.Aonde não há dinheiroTodo trabalho é perdidoToda questão esmoreceTodo negócio é falidoTodo cálculo sai erradoTodo debate é vencido.Pois o homem sem dinheiroÉ como um velho dementeUm gato que não tem unhaCobra que não tem um denteCachorro que não tem faroCavalo magro e doente.Porque perante o dinheiroTudo ali se torna molePorque não há objetoQue sob seus pés não roleBote dinheiro no mortoQue a ossada dele bole!O bacharel por dinheiroSó macaco por bananaO gato por gabiruOu um guaxinim por canaSó saguim pela resinaOu bode por jitirana.A moça tendo dinheiroSendo feia como a morteCaracteriza-se e enfeita-seSempre melhora de sorteMais de mil aventureirosA desejam por consorte.Porque dinheiro na terraÉ capa que tudo encobreCubra o cachorro com ouroQue ele tem que ficar nobreÉ superior ao donoSe acaso o dono for pobre.Eu já vi narrar um fatoQue fiquei admiradoUm sertanejo me disseQue nesse século passadoViu enterrar um cachorroCom honras de potentado.Um inglês tinha um cachorroDe uma grande estimaçãoMorreu o dito cachorroE o inglês disse então:- Mim enterra essa cachorraInda que gaste um milhão!Foi ao vigário e disse:- Morreu cachorra de mimE urubu do BrasilNão poderá dar-lhe fim- Cachorro deixou dinheiro?Perguntou vigário assim.- Mim quer enterrar cachorra!Disse o vigário: - Ó inglêsVocê pensa que isto aquiÉ o país de vocês?Disse o inglês: - O cachorraGasta tudo desta vez.- Ele antes de morrerUm testamento aprontouSó quatro contos de réisPara o vigário deixou!Antes do inglês findarO vigário suspirou:- Coitado!, disse o vigárioDe que morreu este pobre?Que animal inteligenteQue sentimento tão nobreAntes de partir do mundoFez-me presente do cobre!- Leve-o para o cemitérioQue o vou encomendarIsto é, traga o dinheiroAntes dele se enterrar!Estes sufrágios fiadosÉ factível não salvar.E lá chegou o cachorroO dinheiro foi na frenteTeve momento o enterroMissa de corpo presenteLadainha e seu ranchoMelhor do que certa gente.Mandaram dar parte ao bispoQue o vigário tinha feitoO enterro do cachorroQue não era de direitoO bispo aí falou muitoMostrou-se mal satisfeito.Mandou chamar o vigárioPronto, o vigário chegou:- Às ordens, sua excelência!O bispo lhe perguntou:- Então que cachorro foiQue Seu vigário enterrou?- Foi um cachorro importanteAnimal de inteligênciaEle antes de morrerDeixou a Vossa ExcelênciaDois contos de réis em ouroSe errei, tenha paciência!- Não foi erro, Seu vigárioVocê é um bom pastorDesculpe eu incomodá-loA culpa é do portadorUm cachorro como esteJá vê que é merecedor!- O meu informante disseQue o caso tinha se dadoE eu julguei que isso fosseUm cachorro desgraçadoEle lembrou-se de mim?Não o faço desprezado!O vigário entregou-lheOs dois contículos de réisO bispo disse: - É melhorDo que diversos fiéisE disse: - Provera DeusQue assim lá morressem uns dez!- E se não fosse o dinheiro?A questão ficava feiaDesenterrava o cachorroO vigário ia pra cadeiaMas como o cobre correuFicou qual letras na areia!Judas era homem santoPregava religiãoEra discípulo de CristoTinha toda direçãoPorém por trinta dinheirosDispensou a salvação!O dinheiro só não podePrivar do dono morrerPara o vento no arE proibir de choverO resto se torna fácilPara o dinheiro fazer.O sacerdote no temploInda estando no sermãoChega um ateu na igrejaTraga-lhe meio milhãoQue ele vai encontrá-loBota-o na palma da mão.Havendo muito dinheiroCasa-se irmã com irmãoO bispo dispensa um quartoVai ao papa outro quinhãoO vigário dá-lhe o untoE por que não casam então?! Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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