cordel revista antigas Palavras que hoje em dia quase não se usam mais - cordel maio 07, 2024 URL Copied Janduhi Dantas Que as musas do Cordeltragam luz à minha mentepra eu falar de algumaspalavras que no presentevelhinhas, cansadas, saemda boca só raramente. No meu tempo de meninoem Patos, no meu sertãoquando em andava descalçojogando bola e piãoas palavras eram outrasna nossa conversação. Tempo em que o país tinhapresidente generalcandeeiro havia muitopois blecaute era normalminha mãe usava anáguameu pai tinha uma rural. Tempo em que nas brincadeirasinfantis pelo terreirogritava forte: “Sou prima!”quem ia ser o primeiroo segundo era o sigae o derra o derradeiro. Palavras daquele tempopra hoje achar se garimpa:suco de hoje era ponchemaravilhoso: supimpa!confusão era banzégente boa: barra limpa! Pra gente naquele temponaquela época remotalentidão era remanchoturma de amigos: patotadesperdiçar: estruirvida mansa: maciota. Se dava o nome chuépara coisas sem valoralguém roendo, na fossaestava a sofrer de amortamanho, altura era topexeleleu: bajulador. Avarento: morta-fomemulher feia era canhãomulher bonita era uvae homem bonito: pãoganhando com grande folgase ganhava de cambão. Cair em golpe era o mesmoque cair em arapucaquando o caba era aluadoera então lelé da cucao elegante era lordeirrisório, mixuruca. Sem graça, fraco era xôxopra nós, tapa era bufeteperceber era dar fécomprimido era cachetefazer demora: embromarinfeliz era infitete. Ficar de alguém à espreitase dizia pastorarencontrar-se com alguémpor acaso era topar:“Eu hoje topei com Joãolá na casa de Oscar”. Não sendo a mulher mais virgemse dizia “Foi bulida!”se dizia atravessadapara a pessoa atrevidado mesmo modo se tinhapau-de-lata pra metida. Com giz riscada a calçapra brincar da onça, o jogoninguém conhecia ímãa gente chamava azogofalava à visita rápida:“Você veio buscar fogo?” Malino: menino inquietoo dinheiro era tutumuitas notas de dinheiro:“Olha só o putufu!”o amante: concubinacabra besta: papangu. Dizer-se “Vigie pra mim”:mesmo que “Dá uma olhada”a coisa estando no fim:numa “peinha de nada”ante uma grande surpresa:Meu Deus! “Pela Madrugada!” Estando alguém furiosoestava tão tiriricaadesivo era decalquemuito boato: futricafotografia: retratoe carro velho: fubica. “Sacudir o esqueleto”era o mesmo que dançarmafuá era bagunçafazer sucesso, abafar:“Zezinho tá abafandocom as moças do lugar”. Sutiã era corpetecolega era pariceirolamentação: chorumelamatuto era beradeiroavantajado: balofoe mal pagador xeixeiro. Alguém em dificuldadese dizia: “Tá pebado!”“Nem à força!”: “Nem a pulso!”misturado era braiadogente chata era cricrie vermelho era encarnado. Falar com um intrigadoera pedir penicoboato, intriga, conversadisso o nome: mexericopeteleco na orelhase dizia bizurico. Raio X: abreugrafiacinto era corriãoquem chegava de repentechegava de supetãoo mesmo que “Vá pra merda!”era “Vá lamber sabão!” Pra valer era na veracarona era bigucarro quebrado: no pregoótimo era “Do peru!”bronca grande era carãodar dicas: passar bizu. Tomar o tempo de alguémera o mesmo que empalharmotorista ruim: barbeiroenfrentar era peitartaxista: chofer de praçanão dar certo era gorar. Conversar bobagem erafalar miolo de poteprum bando de desordeirosse dava o nome magotequando o caba se zangavase dizia: “Deu pinote!”.Se estava na pindaíbatava o caba no sufocoproibir era empatarestouro grande: papocoarmário era pitisqueiroe algo no fim: cotoco. Mocinha bonita: brotomarchante era açougueirocamarinha era o quartopreguiçoso era ronceirocaneco: copo de flandrebufunfa: muito dinheiro Quem não comprava cigarrovivia a pedir piolanos cabarés da cidadede ficha era a radiolao cabra muito exibidoconvencido era gabola. “Fale logo!”: “Desembuche!”mulher magra: lambisgoiaborocoxô: deprimidocoisa muito boa: joia!discordar com veemência:“Não senhor! Uma pinoia!” Estar mordido do porcoera estar muito zangadosem se saber onde estavaestava o cabra ariadofesta feita de surpresatinha o nome de assustado. Palavra mofada, antigainda tem um escambal...leitor, que esta minha listacê tenha achado legalmas agora no cordelvou botar ponto final. E a você que é professorpeço um favor (cê me faz?!):este cordel para a aulaleve e ponha num cartaz:“Palavras que hoje em diaQuase não se usam mais!” Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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