cordel revista antigas Pinóquio ou o preço da mentira maio 06, 2024 URL Copied Manoel Monteiro GEPETO, artesão famoso,Em sua marcenariaDava vida a simples tábuas,Serrava, colava, únicaCom tanto amor, tanto afeto,Que ao fim do objetoUm filho lhe parecia. As casinhas que fazia,Burrico, vaca, novilhoTudo em madeira, e, perfeito,Com muito amor, muito brilho,Ganhavam sua afeição,Mesmo assim seu coraçãoSentia a falta de um filho. Queria ouvir estribilhoDe menino tagarelaBrincando em frente de casaChamando o pai da janela;Da solidão que insistiaEm fazer-lhe companhiaQueria afastar-se dela. Foi à casinha singelaDo compadre CerejeiraOutro artesão, seu amigo,E duma tábua “maneira”Que lá pôde conseguirComeçou a construirUm boneco de madeira. Fez o rosto de olhos grandes,As mãos, os pés e o busto,A boca, o nariz, as pernas,Costas e peito robusto,Os cabelos alouradosUm pouco encaracolados,Testa ampla, queixo justo. Cada dia o bonequinhoGanhava um ar de bondadeE mais a mais pareciaCom um guri de verdade,Para manter um colóquioGEPETO chamou PINÓQUIOE deu-lhe a paternidade. O boneco era inquietoComo as crianças sãoMas ganhando vida deuNova vida ao artesãoQue agora em seu pobre larTinha com quem conversarE fugir da solidão. Quando PINÓQUIO falouPapai, papai, meu papaiA alegria foi tantaQue GEPETO quase cai,Não pensou nem um momentoQue um bom acontecimentoCoisa má também atrai. O bonequinho que trouxeTanto motivo pra rirTentando por entes mausPrincipiou a mentirMas do tanto que mentiaSeu narizinho cresciaPara assim o reprimir. PINÓQUIO não conseguiaDeixar de mentir, portantoQuando mentia um tantinhoO nariz, pra seu espantoParece que percebiaE em revide cresciaUm tanto e mais outro tanto. PINÓQUIO em vez da escolaVagava pela cidadeE junto a más companhiasFazia “perversidade”,Trocando tapas e murrosParou na Terra dos burrosOnde houve uma novidade. Sem que nem mais e sem terExplicação convincenteO boneco de meninoTomou forma diferentePelo que havia feitoEstava tomando o jeitoDe burro em lugar de gente. No lugar das pernas fortesNasceram quatro patinhas,Nariz chato, rosto longo,Corpo peludo, orelhinhasPara se “burrificar”Principiou a zurrarE pastar ervas daninhas. PINÓQUIO em forma de burroFoi viver no picadeiroDe um circo mambembe ondeDivertia o mundo inteiro,Por fim, há! Que desaforoQueriam curtir-lhe o couroPara fazer um pandeiro. Milagrosamente escapaDesse destino cruelMas é atirado ao marE sofre um novo revel;Os peixes com fome estãoEle para refeiçãoVai servir bem no papel. Nesse ínterim se transformaEm boneco novamenteNada pra salvar a vidaMas um tubarão valenteCom uma fúria tamanhaAo bonequinho abocanhaPra ser seu almoço quente. Lá dentro do tubarãoNa penumbra, quase pretoPINÓQUIO avistou um vulto,Quem era o vulto? PrometoDizer quem era. Escutai,Era GEPETO, seu pai,Ele atirou-se a GEPETO. GEPETO contou-lhe comoFoi parar no tubarãoPINÓQUIO também falouDe tudo e pediu perdãoFoi quando a mão do destinoO fez voltar ser meninoDe corpo e de coração. Salvo dos perigos juraDoravante se portarObediente e sinceroSem a verdade faltarCom essa promessa boaGEPETO então o perdoa,Regressam os dois ao lar. PINÓQUIO volta à escolaMas a tentação o venceE troca sua cartilhaPor um ingresso circenseIsso porque em seu cálculoO fantoche do espetáculoAo seu gênero pertence. Depois de um ensaio breveIntegrou-se ao pessoalPorque a vida no circoTeve uma atração fatal;Novamente o bem perdeuPorque PINÓQUIO esqueceuA promessa inicial. Será que mencioneiUm grilozinho falanteQue sem PINÓQUIO quererEra seu acompanhanteE num cri-cri repetidoLembrava do prometidoToda hora e todo instante? Foi uma fadinha boaQue deu o Grilo ao meninoE disse, daqui pra frenteEsse animal pequeninoVai lembrar os teus deveresE se o obedeceresTerás um belo destino. PINÓQUIO disse: Obrigado,Mas não gostava daquiloUm espião permanenteNão o deixava tranquilo,Ao se arrumar pra sairPor gosto deixou cairUm peso em cima do Grilo. Depois de PINÓQUIO terPraticado ação tão feiaPor causa de umas moedasVai terminar na cadeiaMas não se emenda, o danado,Mesmo sendo castigadoPor mexer em coisa alheia. De um lado o Bem dá-lhe o braçoDo outro o Mau o ampara,O Bem aconselha, estude,O Mau questiona, paraQue serve estudo “mané”PINÓQUIO meio leléFica no “coroa e cara”. Papa-fogo, dono rudeDo circo ao se depararCom PINÓQUIO, o narigudoReina o aprisionarPra seu circo cacarecoTer outro artista bonecoTralhando sem ganhar. PINÓQUIO foi ser mais umArtista do picadeiro,Os segredos do trapézioIsso aprendeu bem ligeiro;Os outros gostavam delePorque distinguiram neleMais um novo companheiro. Depois de mil aventurasSer preso e quase afogado,Andar perdido no mundo,Mentir e ser castigadoPINÓQUIO cansado dizA culpa é desse narizGrande demais e pesado. Caiu em sono profundoDespertou ouvindo a prosaDo Grilo ressuscitadoE da voz melodiosaDa moça de finos traçosAmparado pelos braçosDa fadazinha bondosa. A fada tomou o GriloEm sua mão delicadaDeu de presente a PINÓQUIONuma frase sussurrada,Dizendo: Fica contigoPorque quem não tem amigoNeste mundo não tem nada. Mas pra manter um amigoSem perder sua amizadeSob qualquer circunstânciaJamais lhe falte a verdade,Quem não mente e é lealTem narizinho normalPaz, amor, felicidade. A fada, PINÓQUIO, o GriloVão os três ao campo lindoEla com seu Condão mágicoDiz a PINÓQUIO sorrindoQue o mundo pode ser deleCom a condição que elePARE DE VIVER MENTINDO. PINÓQUIO garante a FadaE ao grilozinho falanteQue pelo que já sofreuDaquele dia em dianteCom toda sinceridadeNão faltaria a verdadeE estudaria bastante. Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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