cordel revista antigas A Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara junho 01, 2024 URL Copied Apolônio Alves dos SantosJá que sou simples poetapoesia é meu escudocom ela é que me defendojá que não tive outro estudovou mostrar para o leitorque o poeta escritorvive pesquisando tudoCerto dia feriadosendo o primeiro do mêsfui tomar uma cervejano bar de um portuguêslá assisti uma cenaagora pego na penapara contar pra vocêsQuando eu estava sentadochegou nessa ocasiãoum velho pernambucanodaqueles lá do sertãocom a maior ligeirezafoi se sentando na mesapediu uma refeiçãoO português logo trouxeum prato grande sortidoo nortista vendo aquiloficou logo enfurecidocom um gesto carrancudocomeçou mexendo tudodepois falou constrangidoPatrício não leve a malnem me queira achar ruimtoda espécie de comidaque você tem é assim?desculpe minha expressãomas a sua refeiçãonão vai servir para mimNesta hora o portuguêsficou zangado tambémlhe respondeu ora boladonde é que você vem?difamando deste jeitome diga qual o defeitoque esta comida tem?O nortista disse eu sofroum ataque entistinala carne está quase podreo arroz tem muito salo feijão está azedode comer eu tenho medoque pode me fazer mal— O meu estômago não dápra receber este entulhoprefiro morrer de fomemas não como este basculhopois comendo sei que morrolá no norte nem cachorronão come todo bagulhoO português respondeuvocê é péssimo freguêsvá embora e faz favornão vir aqui outra vezmas antes tem que pagarnão posso lhe perdoara desfeita que me fezO nortista disse eu pagoque isto não me embaraçapara você não pensarque eu vim comer de graçamas o nortista de nomeembora morra de fomemas não come esta desgraçaAcontece que alise achava um cariocadisse ele só conhecefarinha de mandiocatodo nortista poeirasó gosta de macacheiragirimum e tapiocaDisse o nortista é porissoque o nordestino é forçosoporque no meu velho nortese come pirão gostosocom farinha de mandiocaaqui só dá cariocadoente tuberculosoC. — Respondeu o cariocanão queira tanto agravarseu nordeste é muito bommas lá ninguém quer ficardeixou lá seu pé de serrae veio pra minha terrapara poder escaparN. — A qui também me pertenceo nortista respondeueu sou nato brasileiroo Brasil é todo meuo homem precisa andarpara poder desfrutardo país onde nasceuC. — O carioca rompeunordestino é curiosoalém de ter olho grandeé demais ambiciosochega aqui se amalocana terra do cariocadoente tuberculosoN. — Disse o nortista é porquenosso Rio de Janeiroprecisa do nordestinopois é um povo ordeiropra quem derrama suoraqui no Rio é melhorpara se ganhar dinheiroC. — Mas no Rio de Janeirotem operário de sobranão precisa nordestinovir aqui fazer manobranordestino é atrevidoaqui já é conhecidopor camondonga de obraN. — Você me diz isso tudopra me desclassificarmas aqui as companhiaspreferem mais empregaros nordestinos que vempois carioca não temcoragem de trabalharC. — É porque o cariocagosta da civilidadenão é defeito ninguémviver da facilidadepois ninguém não é cavalopra viver criando calosem haver necessidadeN. — O carioca só gostade viver da malandragemdo jogo e da bebedeirado vício e da vadiagemporisso o país da gentenão pode ir para a frentepor causa da pilantragemC. — O carioca está certopensando assim pensa bemo carioca não gostade ser sujeito a ninguémnem dá valor a operárioque só vive do salárioluta muito e nada temN. — Já eu penso diferentevocê precisa entenderque nosso mundo é compostode tudo precisa terse não fosse o operárioo rico milionáriocomo podia viver?C. — Mas o nortista trabalhaporque é muito uzurariotem alguém que vem pra quimas lá é proprietáriopois devido a ambiçãoenfrenta até fundaçãocom os olhos no salárioN. — É porque o nordestinoé um homem acostumadoa só viver do trabalhonão ignora o pesadonão é como o cariocaque só vive da fofocada malandragem e do fadoC. — Tinha graça o cariocase misturar com cimentocomo faz o nordestinoque chega ficar cinzentocarioca só procuraum emprego que figuramoral e comportamentoN. — Não é todo cariocaque tem a capacidadede assumir um empregode alta dignidadeprecisa de estudarpara assumir um lugarde responsabilidadeC. — Você aí está certoo estudo está na frenteporque o mundo ficoupara o mais inteligenteassim diz quem for ativoo operário é cativonum país independenteN. — Pois eu gosto do trabalhoe vivo sempre dispostopois o homem que trabalhaa Jesus dá grande gostoporque Deus disse a Adãohás de ganhar o teu pãocom o suor do teu rostoC. — Então você é Adãoque veio do paraísofaça lá o que quiserque de você não precisonem vou na sua malocaporque sou um cariocaque honro o chão onde pisoN. — Nem de você eu precisoque você é fracassadopelos traços já se vêque você é pé rapadoe quem fala deste jeitosó pode ser um sujeitoignorante atrasadoC. — Disse o carioca eu vivocom minha alma tristonhavou embora para ondeo nordestino nem sonhavou esconder minha carapara este pau-de-araranão me matar de vergonha Compartilhar Gerar link Facebook X Pinterest E-mail Outros aplicativos Postar um comentário Comentários
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